(Os textos aqui abaixo foram frutos de uma partida de palavra surpresa, na qual tive que escrever um texto rápido sobre palavras aleatórias)
1) Lágrima
Desde criança penso porque a lágrima é salgada. Sempre gostei do gosto de lágrima, é salgado na medida certa, diferente do mar. Uma vez eu soube de um bicho muito pequeno que poderia viver dentro do nosso olho porque ele conseguiria sobreviver graças a nossa lágrima. Pirei quando soube disso também. Uma outra coisa que considero interessante a respeito dela é que ela apenas é consequência de algo muito mais abstrato: emoção, bocejo e alergia. Parece que microscopicamente a lágrima é diferente de acordo com cada emoção do seu expelir. A pior lágrima é a da alergia, a pessoa não consegue ver nada, e fica irritado com a luz. E ela escorre sem você sentir nada, que não raiva. A lágrima do bocejo é minha preferida, pois não precisa sequer ser enxuta. Como não houve muita emoção, deixo a lágrima surtir o efeito reverso: me provoca cócegas à maçã do rosto.
2) Luz de lâmpada
Luz de lâmpada é umaminhas das maravilhas artificiais preferidas. Não sou um entusiasta das incandescentes, apesar de reconhecer sua importância. O problema é toda a energia que se perde que é convertida em calor. Um desperdício infindo! Porém tão simples que qualquer um pode pensar "poxa vida, eu poderia ter criado isso sozinho!". Mas é fácil falar. Hoje em dia tem de tudo que é tipo. Dizem que essas com gás são perigosas depois de queimadas. O pessoal costuma brigar com uma delas, faz um estrago danado. Eu prefiro mesmo as branquinhas, pequenas e compactas, de abajour. Mas um abajour que não derreta como o meu, de preferência. Pois nem sempre podemos ter uma lâmpada fluorescente. Uma coisa que eu gosto é quando eu mudo a lâmpada do meu quarto por outro tipo. Parece que estou em outro lugar. Sai daquele filtro amarelado para a branquidão plena. Ou vice-versa. Acho realmente incrível... A gente admira cada coisa estranha nessa vida.
3) Isopor
Tem pessoas que tem agonia do som de isopor raspado. Acho que minha irmã tem uma daquelas. Mas eu sempre gostei das bolinhas que formam um isopor. Porque ele nada mais é que um aglomerado de bolinhas que eu sempre raspava quando criança e fingir ser neve. Depois comecei a me atentar pra real importância dele. O termo "iso" acredito que venha dele ser um material excelente para isolar temperatura e som. Sem contar que protege muito bem eletrodomésticos pelo mundo a fora. Eu não lembro se eu já o fiz, mas deve ser maravilhoso colocar a mão num saco cheio de bolinhas de isopor raspado. As pessoas dizem que a língua portuguesa tem palavras muito específicas que descrevem coisas longas. Se eu pudesse criar uma palavra, criaria para as bolinhas de isopor desaglomeradas juntas e soltas. Mas ainda não sei como a chamaria. Uma porção de klimbox, talvez. Para sacos pequenos, klimboxinhos
4) Chapéu
Se tem um acessório que eu gosto é o chapéu. Praticamente de todos os tipos, até porque hoje em dia não me deixa muito feliz chapéis de cowboy, apesar de já ter me afeiçoado mais por estes. Uma vez soube que os chapéis foram criados porque as pessoas jogavam seus dejetos pelas janela, e então fez-se necessário para ninguém sujar a cabeça. Mas não acredito muito nisso. Eles foram criados porque são demais!! Tanto é que escrevi uma música que diz "saiba se quiser sair é só colocar um chapéu". Adoro a frase do Raul Gil "pra quem você tira o chapéu?" e gostei de que na catedral de notre dame ainda não se pode entrar de chapéu. Tem uma placa na porta de entrada. Meu avô Antônio era um homem da Igreja e ele usava chapéu. Não na Igreja. Minha primeira boina fora sua, presente da minha tia de Curitba. Desde então sempre gostei de boinas, eu a via pendurada no gancho da rede na porta de entrada da cozinha e ficava pensando como gostaria de pô-la em minha cabeça. Meu avô não gostava muito dela, eu acho. Ou apenas usava em ocasiões especiais. Ou simplesmente usava para satisfazer minha tia, sua filha mais nova. Acho que ele faria isso. Mas ela sempre ficava no mesmo lugar, num gancho de rede na entrada da cozinha.
9 de fevereiro de 2015
8 de fevereiro de 2015
rebequismos
queria era um pote de vidro para preservar as plantinhas
pode ser um potinho qualquer
desde que cumpra sua função com êxito
de proteger e permitir o fluxo natural de crescimento
que é de direito das plantas
liberdade para crescer
por isso que as calçadas se quebram
acima dos pés-de-pau da minha cidade
é uma coisa que me deixa triste
calçadas e falta de liberdade
cimento e pedra não preservam muita coisa
na verdade
não preservam coisa alguma
mas pode ser um pote fino ou barrigudo
fosco ou translúcido
desde que os pássarinhos não picotem a raíz
e eu possa acompanhar o crescimento
pode ser um potinho qualquer
desde que cumpra sua função com êxito
de proteger e permitir o fluxo natural de crescimento
que é de direito das plantas
liberdade para crescer
por isso que as calçadas se quebram
acima dos pés-de-pau da minha cidade
é uma coisa que me deixa triste
calçadas e falta de liberdade
cimento e pedra não preservam muita coisa
na verdade
não preservam coisa alguma
mas pode ser um pote fino ou barrigudo
fosco ou translúcido
desde que os pássarinhos não picotem a raíz
e eu possa acompanhar o crescimento
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