sentado no bar
com os meus
eu vou
conspirando contra
todo mundo que
se diverte ansiosamente
debaixo do sol
que atrapalha
atrapalha tudo
atrapalha o trabalho do trabalhador
que quer ficar em casa
assistindo o telejornal em frente ao ventilador
pra não pisar em brasa
pego uma cerveja
me mudo para o refrigerador
e acendo um cigarro
mas não me acostumo e volto praquele calor
de dentro do meu carro
no copo é que eu
permaneço
e saio
perambulo pelo corredor
do teu
apartamento tão pequeno
mas que é tão maior
que uma cama
minha fama é de perdedor
mas quando o jogo aperta
hoje eu escolhi medir o andor
que o santo é de barro
29 de novembro de 2014
2 de novembro de 2014
Análise CD "Vira-lata na Via Láctea", de Tom Zé
Resolvi fazer uma análise sucinta, faixa por faixa do novo cd do iraraense Tom Zé, por conhecer razoavelmente sua obra e por achar que ele merece, no mínimo, minha atenção redobrada para este disco com participações incríveis de gente nova e velha, e com canções de seu último EP, "tribunal do feicebuque". Adianto desde já que espero bastante desse CD e ainda espero que ele me surpreenda.
Faixa #1 - Geração Y
A primeira música não parece muito com as últimas músicas de aberturas de cd de Tom Zé, não é nem um pouco introdutória, mas é bem objetiva. Desde as primeiras vezes que vi o nome de Tom nas participações em bandas como Ecos Faltos (em "A Revolta da Musa") e Mombojó (em "Realismo Convincente") percebi a evidência de sua aproximação com os jovens. "Geração Y" nada mais é que o resultado de suas observações ante ao mundo moderno, tecnológico. Ele apresentou um futuro bastante triste ao jovens, me lembrou um pouco as letras pessimistas de Radiohead. Música sucinta e sem arrodeios porque a geração y não pode esperar.
"Vem depressa, porque meu bem, meu bem, bem
daqui a alguns anos, vamos ter que governar"
link: https://www.youtube.com/watch?v=2hwz7-MqumE
Faixa #2 - A Quantas anda você (com Trupe Chá de Boldo)
Faixa #3 - Banca de Jornal
Eu sou a pior pessoa pra falar de uma música com a participação de Tom Zé e Criolo. Incrível música, incrível introdução, inclusive. Tem a essência do Estudando o Samba e Estudando o Pagode, mas com novos elementos evidentes da tecnologia. Mostra a que veio, uma vez que insere elementos que lembram video-games, que na minha imaginação sórdida me lembram o pulo do Mário do SNES, o que me fez que ele quis carregar a geração y, dos video-games, numa canção que fala de Jornais/Revistas. A letra fala por si só, é uma brincadeira com agulhadas discretas, evidenciando a antítese entre meios de veiculação da imprensa. Como por exemplo, a antítese VEJA/Carta Capital no refrão ou a Formiga (séria, trabalhadora) vinculada à Folha de SP, Estado de SP e a incrível PIAUÍ e a cigarra (relaxada, da curtição) relacionada à revistas fúteis, como CARAS, ti-ti-ti e CONTIGO. Incrível, sem mais.
link: https://www.youtube.com/watch?v=q4qqkrLquQs
Faixa #4 - Cabeça de Aluguel
Faixa #5 - Pour Elis
Rodrigo Campos, Kiko Danucci e Milton Nascimento. Somente. Tom Zé, que sempre se chamou de vira-lata aos quatro cantos do mundo, realmente está na via láctea, cujo lugar é o maior exemplo de encontramentos de coisas minúsculas e colossais. São parcerias colossais, que cada vez mais controem e desconstroem a cara do cd. Essa música, até agora, é minha preferida. A voz de Milton entra matando, como sempre. A guitarra distorcida deu um quê de underground, contrastou maravilhosamente bem com o violão de Campos (que me lembrou "Califórnia Azul", do mesmo). Mas o que ganha a música é sua composição. Composição esta que foi feita em 1987, não por Tom Zé. É de uma carta do jornalista Fernando Faro à época do 1º ano sem Elis Regina. Tom Zé, que já gosta de cartas ou qualquer elementos textuais extra-musicais sendo musicados, fez esta jóia musical nascer. Linda música e harmonia. Vou ouvir de novo.
"É uma linha, um traço, um rastro espelhado e brilhante
O rascunho de um rascunho uma forma nebulosa feita de luz e sombra
Como uma estrela, agora sou uma estrela"
link: http://youtu.be/_ZLzWlU0mB0?t=15m31s
Faixa #1 - Geração Y
A primeira música não parece muito com as últimas músicas de aberturas de cd de Tom Zé, não é nem um pouco introdutória, mas é bem objetiva. Desde as primeiras vezes que vi o nome de Tom nas participações em bandas como Ecos Faltos (em "A Revolta da Musa") e Mombojó (em "Realismo Convincente") percebi a evidência de sua aproximação com os jovens. "Geração Y" nada mais é que o resultado de suas observações ante ao mundo moderno, tecnológico. Ele apresentou um futuro bastante triste ao jovens, me lembrou um pouco as letras pessimistas de Radiohead. Música sucinta e sem arrodeios porque a geração y não pode esperar.
"Vem depressa, porque meu bem, meu bem, bem
daqui a alguns anos, vamos ter que governar"
link: https://www.youtube.com/watch?v=2hwz7-MqumE
Faixa #2 - A Quantas anda você (com Trupe Chá de Boldo)
Faixa #3 - Banca de Jornal
Eu sou a pior pessoa pra falar de uma música com a participação de Tom Zé e Criolo. Incrível música, incrível introdução, inclusive. Tem a essência do Estudando o Samba e Estudando o Pagode, mas com novos elementos evidentes da tecnologia. Mostra a que veio, uma vez que insere elementos que lembram video-games, que na minha imaginação sórdida me lembram o pulo do Mário do SNES, o que me fez que ele quis carregar a geração y, dos video-games, numa canção que fala de Jornais/Revistas. A letra fala por si só, é uma brincadeira com agulhadas discretas, evidenciando a antítese entre meios de veiculação da imprensa. Como por exemplo, a antítese VEJA/Carta Capital no refrão ou a Formiga (séria, trabalhadora) vinculada à Folha de SP, Estado de SP e a incrível PIAUÍ e a cigarra (relaxada, da curtição) relacionada à revistas fúteis, como CARAS, ti-ti-ti e CONTIGO. Incrível, sem mais.
link: https://www.youtube.com/watch?v=q4qqkrLquQs
Faixa #4 - Cabeça de Aluguel
Faixa #5 - Pour Elis
Rodrigo Campos, Kiko Danucci e Milton Nascimento. Somente. Tom Zé, que sempre se chamou de vira-lata aos quatro cantos do mundo, realmente está na via láctea, cujo lugar é o maior exemplo de encontramentos de coisas minúsculas e colossais. São parcerias colossais, que cada vez mais controem e desconstroem a cara do cd. Essa música, até agora, é minha preferida. A voz de Milton entra matando, como sempre. A guitarra distorcida deu um quê de underground, contrastou maravilhosamente bem com o violão de Campos (que me lembrou "Califórnia Azul", do mesmo). Mas o que ganha a música é sua composição. Composição esta que foi feita em 1987, não por Tom Zé. É de uma carta do jornalista Fernando Faro à época do 1º ano sem Elis Regina. Tom Zé, que já gosta de cartas ou qualquer elementos textuais extra-musicais sendo musicados, fez esta jóia musical nascer. Linda música e harmonia. Vou ouvir de novo.
"É uma linha, um traço, um rastro espelhado e brilhante
O rascunho de um rascunho uma forma nebulosa feita de luz e sombra
Como uma estrela, agora sou uma estrela"
link: http://youtu.be/_ZLzWlU0mB0?t=15m31s
1 de novembro de 2014
pisando
meu solado do pé é duro duro duro
como se não houvesse pedra pedra pedra
se você sair do muro muro muro
prometo lhe dar
uma dureza no pisar também
pra que você pise como ninguém
sua maciez pisando é triste triste triste
e me lembra uma geleia leia leia
não sei porque você insiste insiste insiste
em me falar
de suas corridas como se alguém
pudesse lhe acompanhar meu bem
piso, me machuco, ponho o pé de silicone e sigo
juro e me asseguro que não me fará besteira (eu digo)
se você quiser me acompanhar traz um calçado de madeira deira deira
sua cabeleira me concerne certos desafios
tento desviar o olho, mas pisando em falso caio
numa rede funda e me despeço da segunda feira feira feira
luto contra a solidão de não saber pisar macio
minha bota preta tem o peso de um maracatu
quando você some eu assobio uma canção que me apaga paga paga
como se não houvesse pedra pedra pedra
se você sair do muro muro muro
prometo lhe dar
uma dureza no pisar também
pra que você pise como ninguém
sua maciez pisando é triste triste triste
e me lembra uma geleia leia leia
não sei porque você insiste insiste insiste
em me falar
de suas corridas como se alguém
pudesse lhe acompanhar meu bem
piso, me machuco, ponho o pé de silicone e sigo
juro e me asseguro que não me fará besteira (eu digo)
se você quiser me acompanhar traz um calçado de madeira deira deira
sua cabeleira me concerne certos desafios
tento desviar o olho, mas pisando em falso caio
numa rede funda e me despeço da segunda feira feira feira
luto contra a solidão de não saber pisar macio
minha bota preta tem o peso de um maracatu
quando você some eu assobio uma canção que me apaga paga paga
9 de outubro de 2014
xote
seu vigésimo quinto mote:
antes que vire meu bote
disparo a favor do rebote
lembro do teu culote
da mão pequena no pote
e da branquidão do holofote
antes que eu me esgote
e o pensamento me sabote
me sabote, me sabote, me sabote,
me sabote, me sabote, me sabote...
me perco naquele decote
do ricochete, um chicote
e do coração, um malote
tudo no som de um xote
antes que eu pare, note
apesar de ser fracote
não quero que me adote
quero que me empacote
na cama do teu cangote
dentro de um mini-caixote
não deixe que eu me sabote
me sabote, me sabote, me sabote
me sabote, me sabote, me sabote...
disparo a favor do rebote
lembro do teu culote
da mão pequena no pote
e da branquidão do holofote
antes que eu me esgote
e o pensamento me sabote
me sabote, me sabote, me sabote,
me sabote, me sabote, me sabote...
me perco naquele decote
do ricochete, um chicote
e do coração, um malote
tudo no som de um xote
antes que eu pare, note
apesar de ser fracote
não quero que me adote
quero que me empacote
na cama do teu cangote
dentro de um mini-caixote
não deixe que eu me sabote
me sabote, me sabote, me sabote
me sabote, me sabote, me sabote...
ah
eu não sou mais dom quixote
não pense mais em boicote
quero provar do teu dote
debaixo do teu saiote
como se num camarote
eu quero que me sabote
me sabote
me sabote
me sabote
eu não sou mais dom quixote
não pense mais em boicote
quero provar do teu dote
debaixo do teu saiote
como se num camarote
eu quero que me sabote
me sabote
me sabote
me sabote
31 de julho de 2014
antigamente
1]
hoje presenciei a imensidão da areia
um areial de fato
derramei um pingo de gelo derretido
foi um carinho barato
os grãos de areia me ensinaram muito de física
passei apenas para agradecer
2]
ouvir música me deixa ansioso
nunca sei quando estão falando comigo
ou se são espíritos
ou se estão tentando me alertar de alguma situação periculosa
como no touro que correra em minha direção
eu estava parado
e ele corria, e eu não me mexia
pois eu estava parado
a palavra é: estático
que é primitiva de estátua, será?
descobrir origem das palavras é algo que me faz sentir uma pessoa importante
30 de julho de 2014
arrasta
a minha sanidade alastra uma porção de coisas inúteis
que rebolam no mato o tempo necessário à matéria relevante
sou a plebe indiferente de minha singela e traiçoeira cama
furtivo como saci de perna mecânica
sou a própria solidão mecanizada
em natureza realmente tântrica
a ruiva casta que permeia meu lamento
tem tanta lágrima dentro de si que tem preguiça de chorar
vai se minguando num oceano de reclames
minha pobre casta, branca realmente cor de neve
sem sal
minha pobre casta, branca realmente cor de neve
sem sequer sal
22 de julho de 2014
natal é assim
você é já ou já é
você me bota firmeza
com um usual boto fé
mistura o pó de café
com aquele chá de sachê
e analisando o que eu disse
você diz pode crê
me diz aí
menina o que eu falei pra você
se o sol se parte, já é tarde
ow, não vai esquecer
e vai subindo a camisa
que aqui é a terra da brisa
se tá de baixa me avisa
que eu quero salvar você
Refrão:
Natal
é assim
alguns lhe dizem pequena
mas cê foi feita pra mim
parece aquela morena
cheirosa como um jasmim
e quente feito o demônio
é, é natal é assim
então qual foi?
tu chega de bobeira e qual é?
diz que me ama de rocha
só pra ganhar picolé
mas tem que ser caicó
e de cajá, ainda mais
que a larica quando bate
não te deixa em paz
aí fudeu
o cara acabou de passar
com a magrela voando
e só faltou empinar
mas não se invoque boyzinha
que eu posso pegar a minha
cê vai no quadro da bike
e quando voltar tá novinha
Natal
é assim
alguns lhe dizem pequena
mas cê foi feita pra mim
parece aquela morena
cheirosa como um jasmim
e quente feito o demônio
é, é natal é assim
outra rodada
estamos bem longe da igreja
a gente bebe na praça
vinho, cachaça e umas breja
enquanto eu separo a massa
você espera e boceja
e quando finda a madrugada
tá todo mundo limpeza
eu to de boa
curando a ressaca na praia
tomando uma de leve
aqui sentado nas palha
arriando uma com os boy
falando das minissaia
tomando caldo que dói
eu não sou alves, não sou maia
por que eu sou de
Natal
é assim
alguns lhe dizem pequena
mas cê foi feita pra mim
parece aquela morena
cheirosa como um jasmim
e quente feito o demônio
é, é natal é assim
você me bota firmeza
com um usual boto fé
mistura o pó de café
com aquele chá de sachê
e analisando o que eu disse
você diz pode crê
me diz aí
menina o que eu falei pra você
se o sol se parte, já é tarde
ow, não vai esquecer
e vai subindo a camisa
que aqui é a terra da brisa
se tá de baixa me avisa
que eu quero salvar você
Refrão:
Natal
é assim
alguns lhe dizem pequena
mas cê foi feita pra mim
parece aquela morena
cheirosa como um jasmim
e quente feito o demônio
é, é natal é assim
então qual foi?
tu chega de bobeira e qual é?
diz que me ama de rocha
só pra ganhar picolé
mas tem que ser caicó
e de cajá, ainda mais
que a larica quando bate
não te deixa em paz
aí fudeu
o cara acabou de passar
com a magrela voando
e só faltou empinar
mas não se invoque boyzinha
que eu posso pegar a minha
cê vai no quadro da bike
e quando voltar tá novinha
Natal
é assim
alguns lhe dizem pequena
mas cê foi feita pra mim
parece aquela morena
cheirosa como um jasmim
e quente feito o demônio
é, é natal é assim
outra rodada
estamos bem longe da igreja
a gente bebe na praça
vinho, cachaça e umas breja
enquanto eu separo a massa
você espera e boceja
e quando finda a madrugada
tá todo mundo limpeza
eu to de boa
curando a ressaca na praia
tomando uma de leve
aqui sentado nas palha
arriando uma com os boy
falando das minissaia
tomando caldo que dói
eu não sou alves, não sou maia
por que eu sou de
Natal
é assim
alguns lhe dizem pequena
mas cê foi feita pra mim
parece aquela morena
cheirosa como um jasmim
e quente feito o demônio
é, é natal é assim
17 de julho de 2014
vi
F Cm C#m
vi. será que vi mesmo?
F
não sei
Bbm Cm7/5 C#7
o bom é desver. será?
Bbm Bbm/G# Bbm/G Bbm/F#
desvi e virei. talvez.
e então desviei o olhar
F Cm C#m
revi. pra que fui rever?
F
cadê?
Bbm Cm7/5 C#7
queria te ver, sei lá
Bbm Bbm/G# Bbm/G Bbm/F#
reviravoltei pra ter
a chance de você voltar
F Cm C#m
vivi. te vi duas vezes
F
meu bem
Bbm Cm7/5 C#7
me viro pra não me notar
Bbm Bbm/G# Bbm/G Bbm/F#
vivia comigo, você
e agora você vive lá
Bbm F D#m
e lá e lá e lá e lá e lá ê
e lá e lá e lá e lá e lá lá
e lá e lá e lá e lá e lá ê
a chance de você voltar
vi. será que vi mesmo?
F
não sei
Bbm Cm7/5 C#7
o bom é desver. será?
Bbm Bbm/G# Bbm/G Bbm/F#
desvi e virei. talvez.
e então desviei o olhar
F Cm C#m
revi. pra que fui rever?
F
cadê?
Bbm Cm7/5 C#7
queria te ver, sei lá
Bbm Bbm/G# Bbm/G Bbm/F#
reviravoltei pra ter
a chance de você voltar
F Cm C#m
vivi. te vi duas vezes
F
meu bem
Bbm Cm7/5 C#7
me viro pra não me notar
Bbm Bbm/G# Bbm/G Bbm/F#
vivia comigo, você
e agora você vive lá
Bbm F D#m
e lá e lá e lá e lá e lá ê
e lá e lá e lá e lá e lá lá
e lá e lá e lá e lá e lá ê
a chance de você voltar
A pele
A pele dela tem nome de sentimento
no momento em que me empolo em seu cabelo
o seu tato é chamado de apelo
apelo pela pele
que peleja!
pelo que você deseja
só peço que me revele
repele-me da minha natureza
se teu pé lá na beleza
é calçada da fama
de longe só vejo pele
de perto assim só pelo
se ela já foi na calçada
ver minha pele pelada
junto de quem tenho zêlo
não sou rei pelé
nem quero sê-lo
no momento em que me empolo em seu cabelo
o seu tato é chamado de apelo
apelo pela pele
que peleja!
pelo que você deseja
só peço que me revele
repele-me da minha natureza
se teu pé lá na beleza
é calçada da fama
de longe só vejo pele
de perto assim só pelo
se ela já foi na calçada
ver minha pele pelada
junto de quem tenho zêlo
não sou rei pelé
nem quero sê-lo
26 de junho de 2014
riso frouxo
vê se pode uma inocência dessa
sou quase um café
pingado
(com leite)
sou breve doce deleite:
pobre, calado e sem fé
sou quase um café
pingado
(com leite)
sou breve doce deleite:
pobre, calado e sem fé
a frouxidão é uma virtude séria das coisas
e tudo mais que é atribuído ao riso o é
o sorriso é coisa séria tal qual galinha
ninguém consegue segurar
e tudo mais que é atribuído ao riso o é
o sorriso é coisa séria tal qual galinha
ninguém consegue segurar
6 de junho de 2014
sem precedência
vem, to cansado desse
tem, pode vir que eu tou
sem precedência
vento, te espero a todo
tempo, hoje eu quero um lamento
eu to por dentro
cem porcento
sento ao pé da mesa
nessa mesa de jantar
engulo uns 20 sapos
sigo a contramão dos fatos
e dou de ombros
às moscas
são 3 folias toscas
baseadas em mentiras
caseadas em dezenas
das erradas investidas
escondidas nas novenas
fatalmente envolvidas
geralmente sob penas,
há suadas mãos sofridas
igualmente pequenas
jogando
jogando
jogando
jogando
fora a paciência às moscas
tem, pode vir que eu tou
sem precedência
vento, te espero a todo
tempo, hoje eu quero um lamento
eu to por dentro
cem porcento
sento ao pé da mesa
nessa mesa de jantar
engulo uns 20 sapos
sigo a contramão dos fatos
e dou de ombros
às moscas
são 3 folias toscas
baseadas em mentiras
caseadas em dezenas
das erradas investidas
escondidas nas novenas
fatalmente envolvidas
geralmente sob penas,
há suadas mãos sofridas
igualmente pequenas
jogando
jogando
jogando
jogando
fora a paciência às moscas
5 de junho de 2014
maldito frio
às vezes sinto uma
pontada (de esperança)
maquiada lembrança
da alça do biquíni
do ódio do cabelo
grudado no meu ombro
eu choro quando vejo
eu sonho
às vezes sinto uma
saudade azul piscina
do peito que eriçava
quando a cerveja caía
e não desse direito
que só morre de frio
aqui enclausurado
nessa sala tão vazia
às vezes sinto uma
beliscada de agonia
que só me faz lembrar
que minha cama está vazia
e que o tijolo branco
que figura na parede
é bem melhor que o cinza
que nunca mata de sede
agora estou sentindo
uma vontade de ficar
pois sei que eu consigo
girando pra me virar
e que nessa imensidão
eu sigo sentindo um trisco
me viro entoando um som
se quero tirar a roupa
pra quê que tem edredon?
22 de fevereiro de 2014
13 de janeiro de 2014
no afã
Uma das minhas expressões que recorto em jornal preferidas é, sem dúvidas, "no afã". Primeiro, porque ao ser introduzido pela preposição "em + o", afã recebe o poder de ser um lugar. Mas não um lugar qualquer. Um lugar bem mais palpável, como "sofá", "bote", "caiaque", etc. E isto que me faz gostar tanto dela. Um toque sinestésico que me faz criar um objeto para cada "afã" que vejo em artigos e outras publicações.
Tais textos, se aproveitam do uso desta expressão, pela imponência que ela confere ao objeto sobreposto ao "afã", sobretudo ainda pela certeza de que estão falando com muito mais posse da veracidade do fato e da acusação (raramente vejo essa palavra sem ser empregada em uma acusação, ou crítica recheada de ironia). Vejamos neste simples exemplo:
"Eles são acusados de implementarem um sistema fictício de concessão de diárias na Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) no afã de enriquecer-se ilicitamente." fonte: http://www.tjrn.jus.br
"No afã de mostrar que tem apoio, Lupi constrange deputado" fonte: http://veja.abril.com.br/
Juro que foram os primeiros exemplos que o google me forneceu depois de ter escrito que "no afã" era sempre associado à acusações. A palavra "acusados" da primeira frase denota muito bem o que quis dizer. E por que tamanha injustiça com uma expressão tão bela e cheia de significados extra-ilicitatórios? Veja bem, esses "recortes jornalísticos" que eu faço são frutos de constatações recorrentes de ferramentas utilizadas em matérias de revistas ou jornais que somam algo -para mim- do além-conteúdo. Como, por exemplo, quando um jornalista destrincha uma mísera palavra-chave de um texto em trocentos sinônimos históricos, poéticos, obscuros e anônimos.
Nesses dias, conversando com meu amigo Pedro, no afã de sua graduação em jornalismo, o perguntei que outra palavra (ou expressão) ele descreveria "internet". Essa rede mundial de computadores. É complicado não soar piegas. Admiro o tempo gasto pelos escritores a fim de não repetir palavras. Assim como admiro os que as sabem usar inconsequentemente.
Concluo minha reflexão com um desejo de ver "no afã" sendo empregado com mais leveza. Sem imponência, com pouca objetividade acusatória, e com a simplicidade informal de um certo dicionário informal desta grande rede que nos liga. Um tal de José Batista do Nascimento, no dia 11 de abril de 2008, foi exemplificar no site de vernáculos informais e escreveu:
"Laura, no afã de navegar, entrou no iate do tio, sem a bóia salva-vidas."
Laura, curiosamente, é minha amiga e namorada de Pedro.
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