28 de junho de 2010

primeiras reticências

carta ao Tom 74, Elliott Smith, cerveja quente, redes, controles, fios, gaitas, seis gaitas, 5 da madrugada, sono, cerveja, fiada conversa, gente inescrupulosa, sociologia, egocentrismo, superego, erros, meninas, mulheres, indecisas, feias, indecisas, lindas, as mais lindas e suas pontuações... Dylan, cash, folk, batidas folk, erros impulsivos, ensaios falhos, divertidos e inebriantes, cerveja quente, cerveja fria, cerveja gelada, enfim.

não há nostalgia alguma.

O que vem a ser sério

intro
F#7m/9 Bm7 E7/9 E7/9-

Se assegure no balanço, pequena,
prometo que não me canso
eu avanço em teus braços e chego a esquecer
de outros laços e abraços a me entorpecer

De um bom dia na cara, eu pulo ao chão
E a cabeça vazia, mas o coração
tá pensando no tempo que falta acabar
eu espero que dê, eu espero que vá

F#7m/9 C#7/9- F#5-
Faça acontecer
Dm6 C#m7
que a chuva me traga um lençol
Cm6 Bm7
meu rio desague no sol
Bbm7
e o sangue que corre
onde corre o sangue
que entra na veia
como um boomerangue
Eb7+
explode, explode
Bb7
no meu corpo
Eb7+
onde pode, pode, pode
Bb7
tua boa boca passear

Tudo que se vê
relacionado ao amor
é sonho de quem já amou
e a pele macia, da minha menina
é mesmo macia,
é mesmo a menina
que eu escolhi
pra passear no meu sonho
e me fazer dormir

20 de junho de 2010

sonhos e tropeços

pede o chão
dou o céu
vê! o tempo vai sair

perde o chão
o meu céu
crê na paralização

eu vou ter o tempo para te dizer
que a solidão contigo é muito mais
perigo me afeta a paz
não sinto com você
silêncio que me persegue
são mil buzinas no meu ouvido
se quem está mudo é você

sede o chão
vem de véu
ser minha orientação

reflete o chão
no meu céu
vê teu olho de espelho

17 de junho de 2010

risível e ridículo

desastre mental
prova de fogo
fatal.
mente todo o tempo que pode
ria de si mesmo,
e hoje chora.
chora porque queres
sofre porque desejas

encontra motivos pra explicar teu silêncio
mas sabes:
perdido tu és!
perdido tu sempre foste!
perde a razão,
procura um "não"
sei lá se sabe de si
sei lá se é verão...
frio não faz!

capaz disso não sabe ser
mas sabe ser bem mais
mas que sujeito sagaz!
tão pobre!
tão cheio de vida e vontade
vida e vontade
vida e vontade de morrer

os que aqui respiram
respiram todos iguais
e paz que é bom...
e bom que é paz...
volto pro mesmo lugar
volto pr'onde não devia ter saído
vou pra uma história,
viro mito!

"consagração do personagem"
versículo mil, capítulo quinhentos e doze
não sei qual parágrafo diz:

homem marcado com x
predestinado a ser infeliz
risível, ridículo
foi este que eu marquei!
e este que vou acertar


1 de junho de 2010

Pieguismo, ilusão e eloquência

"Surto de pieguismo na cidade mata três em um bar da esquina"
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Nunca as máquinas de videokês estiveram tão em alta. O brega, as flores, as camisas de botão... A bohemia está preocupada. A nata da cultura da cidade, chora em todos os becos, sem razão alguma. "Os brutos também amam!" gritam o tempo todo os brutos. Amor, amor, amor... Os cantores cada vez mais compondo sobre esse sentimento tão piégas do ser. A mulher esquece de fazer o café às 7:00. O homem acorda cantando. É, de fato, uma epidemia.
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"Você errou. Quem mandou você errar?
Quem mandou?"
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A ilusão do sentimento manifesta-se na alma da minha cidade. Estão todos apelando a favor de sentirem-se felizes, tristes, amando, traídos... Não importa o sentimento, eles querem sentir. O homem natural daqui perdeu a eloquência. E toda roda de samba, virou manifesto de sentimento. Embriagados em um mesmo bar na esquina da Rua da Saudade, 3 senhores de meia-idade, ao serem perguntados pelo dono do estabelecimento sobre o que queriam, responderam, respectivamente "orquídeas", "charuto", "chega de saudade - João Gilberto". E a partir deste pedido, iniciaram um diálogo sobre o quão impressionante eram as coisas bestas da vida. E o quão eloquentes pareciam estar sobre suas cadeiras. Foi pedido um discurso.
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"Meus bons e velhos amantes, como fico feliz sabendo que neste recinto, compartilho da mesma bebida de ilustres figuras como as vossas. Divido a mesma lua para me admirar, e reclamo do mesmo sol, mas com uma vontade de acariciá-lo tão grande, que esqueço de minhas amadas mulheres. Não aguento mais sentir tanto como estou sentindo. E por isso, à esta faca, deposito minha confiança de um mundo menos expressivo. E quem quiser do meu sentimento provar, que o faça depois de mim"
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O vinil já estava tocando na faixa um do lado B, quando os três senhores piégas utilizaram da mesma faca para suicidarem-se. As orquídeas cobriram os corpos, enquanto um outro ser, menos sentimental, fumava o resto do charuto do então finado.
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"Que no peito dos desafinados,
no fundo do peito, bate calado.
No peito dos desafinados,
Também bate um coração"

Dunas e selvageria




Surpresa, 2 horas e meia

01:22 - Surte em meus ouvidos, a melodia que te dediquei que tanto desconsideras, considerando uma brincadeira minha. "Coisa mais bonita é você, assim". Soa um tanto quanto pessoal. "Justinho você". Pareço um completo apático ser, perdido em tua face. Quando me encontro, ainda estou do teu lado, e é esse o momento mais feliz de estar contigo. O momento em que me perco e me acho sobre teu corpo, sobre teu sofá. (Não imaginas como deve ser). É lindo o céu com você. Os musgos, a biologia, a geografia... Os reclames. Até os reclames parecem algo mais suave, e me dá vontade de reclamar de tudo, pois que tudo permanece em um mesmo plano perto de ti. "Ah, um assobio..." Penso que posso assobiar uma melodia bonita, como se estivesse compondo sozinho. Apenas para exercitar da inspiração que me dá teu sorriso. Mozart não saberia imitá-la, nem descrever como soa bonito a continuação da tua gargalhada. Salieri, com toda sua descrição sobre risadas agudas de alta frequência, renderia-se ao fim de tua gargalhada. E se não se rendesse, quem mais precisa render-se ao teus encantos que eu?

Me rendi demais.

Homem quiasmo

Que asma mais chata!
Que arma sutil...
Prosta-te a leveza de tuas palavras
Põe tuas falácias de boca pra fora
Pra dentro de si
E leva!

Leva tua alma, tua sede, teus falsos carinhos
Que mais parece sono regado,
Quimeras de passado
Um completo abestalhado
Conclue o seu ser

Híbrido e ilógico, defende-se com frases sem sentido algum
E vê. Chora. Ouve. Refaz.
Mil outros verbos,
Mas não traz
A alma do lar que abandonou
Ou ela te defenestrou

Agora só resta poeira... e asma!
Uma rua cheia de falsos elogios,
Essa gente repetente parece que não mente
Finge que sou que nem eles
Não sou! Sou eu só

Um homem de devaneios, paraíso
Inferno seria não pensar