seu domingo casual travestindo-se de inverno
não era o que você queria
não era o que você pensava
estou domingo em teus cabelos
rodopios alternados em frequências nunca antes alcançadas
senoides e dissonantes
cantas em terça
pairam em minha mente
avante!
desço as dunas com a solidão dos solteiros no bolso
o bolso rasgado derrama parte das dunas
fui punido
tentei carregar um morro em minha calça
você não me iça daqui
dói
o pescoço
dói
tentei carregar um morro em minha cabeça
sacudo os cabelos meus
ainda cai areia
tomo um banho frio
e penso em me reconciliar
com a semana
30 de dezembro de 2012
29 de dezembro de 2012
placas
Imagino nós dois na placa tectônica sul-americana
ela se repartindo
você: sul-americana
sorrindo
e a placa partindo
é de partir corações
ela se repartindo
você: sul-americana
sorrindo
e a placa partindo
é de partir corações
alcólica
há uma lição parabólica entre teus dedos que me funciona a me comportar
hiperbólica mesmo só nos dias de fogo
há uma lição bucólica entre as fugas das palavras que insistem em perdurar na cabeça
e cólica mesmo só nos dias de folga
28 de dezembro de 2012
frases de efeito
me tornei capaz
joguei frases de efeito moral
em um grupo de baderneiros
com gases lacrimogêneos
eram caixas de som tocando
a voz de um triste homem declamando
"Deixa em paz meu coração
que ele é um pote até aqui de mágoa"
um desacato à autoridade
muito embora que fosse tão dispersa
em suas sábias palavras tristes
não se dava ao respeito
riste
e mentes
nem me mostraste os dentes
pra eu desacreditar
___________________________
a pequenez das palavras
engasgadas com abrosia
amontoadas em casinhas de cão
chamadas de poesia
a solidez dos terraços
embaixo me asfixia
comprei uma penca de asas
chamadas de poesia
a liquidez dos anseios
por cima dos teus anseios
parece até que eu to vendo
procuro todos os meios
pra achar minhas anestesias
chamadas de poesia
a terradez dos pequenos sólidos
marrom e roxa como as beterrabas
são potes de terra, ela hoje cedo me dizia
eu perguntei "de que as chamo?"
chame de poesia
joguei frases de efeito moral
em um grupo de baderneiros
com gases lacrimogêneos
eram caixas de som tocando
a voz de um triste homem declamando
"Deixa em paz meu coração
que ele é um pote até aqui de mágoa"
um desacato à autoridade
muito embora que fosse tão dispersa
em suas sábias palavras tristes
não se dava ao respeito
riste
e mentes
nem me mostraste os dentes
pra eu desacreditar
___________________________
a pequenez das palavras
engasgadas com abrosia
amontoadas em casinhas de cão
chamadas de poesia
a solidez dos terraços
embaixo me asfixia
comprei uma penca de asas
chamadas de poesia
a liquidez dos anseios
por cima dos teus anseios
parece até que eu to vendo
procuro todos os meios
pra achar minhas anestesias
chamadas de poesia
a terradez dos pequenos sólidos
marrom e roxa como as beterrabas
são potes de terra, ela hoje cedo me dizia
eu perguntei "de que as chamo?"
chame de poesia
salgue
se essa estrada de ferro que passa
sobre a tua calçada fosse
uma estrada em que trem passasse
não me tremerias às palavras
pois que todo teu corpo o faria
em doses homeopáticas
sobre o leito da tua vizinha
aos prantos se ergueria
na praça
o homem acordou
"parem com essa gritaria"
o Homem acordou
da solidão da praça
e ergue-se de novo em preces
estava de novo nela
raso
liso
é dia de findar o prazo
é dia de fechar o rezo
se eles me esquecem...
pena que a estrada de ferro que passa
não passa trem por cima dela
só ferro
sem graça
não tem máquina, fumaça
não tem nada que me faça
lembrar do cheiro que me lembra ela
posto de pé, o que a vizinha faria?
de supetão
esperto
mais de dez quilogramas de sal
mais de dez quilômetros de ferro
porei minhas mãos na massa
tentarei por um pouco de graça
já que na praça não tem amor
o que será que o pranto se tornará?
quanto precisa de sal um novo sabor?
faço
antes
que
alguém
o
faça
sobre a tua calçada fosse
uma estrada em que trem passasse
não me tremerias às palavras
pois que todo teu corpo o faria
em doses homeopáticas
sobre o leito da tua vizinha
aos prantos se ergueria
na praça
o homem acordou
"parem com essa gritaria"
o Homem acordou
da solidão da praça
e ergue-se de novo em preces
estava de novo nela
raso
liso
é dia de findar o prazo
é dia de fechar o rezo
se eles me esquecem...
pena que a estrada de ferro que passa
não passa trem por cima dela
só ferro
sem graça
não tem máquina, fumaça
não tem nada que me faça
lembrar do cheiro que me lembra ela
posto de pé, o que a vizinha faria?
de supetão
esperto
mais de dez quilogramas de sal
mais de dez quilômetros de ferro
porei minhas mãos na massa
tentarei por um pouco de graça
já que na praça não tem amor
o que será que o pranto se tornará?
quanto precisa de sal um novo sabor?
faço
antes
que
alguém
o
faça
sim
um tiro no escuro
pode pegar no muro
mas também pode te ferir, meu bem
deixe pra lá, venha cá, deixe de ser tão má
onde é que tu tá? cadê essa colher
cadê essa colher de chá
vem me dá, toca em fá
me faz esquecer
me faz reler o be-a-bá
tatara-tatara-tataratatá
acompanha a métrica
dodeca cá
dodeca lá
dodecassilábica
ah
solfeja em LÁ bemol
e eu aqui
em saber mol
saber mal
saber mal-e-molência de querer
pode pegar no muro
mas também pode te ferir, meu bem
deixe pra lá, venha cá, deixe de ser tão má
onde é que tu tá? cadê essa colher
cadê essa colher de chá
vem me dá, toca em fá
me faz esquecer
me faz reler o be-a-bá
tatara-tatara-tataratatá
acompanha a métrica
dodeca cá
dodeca lá
dodecassilábica
ah
solfeja em LÁ bemol
e eu aqui
em saber mol
saber mal
saber mal-e-molência de querer
27 de dezembro de 2012
22:33
já são pra lá de 10
e eu me encontro
me divido em dois
metade remédio pros olhos
metade um cheiro tão forte
forte de descontar
descongestionar
a brisa que chega em teu lar
é fria
vai te resfriar?
corro e preparo um chá
já são pra lá de 10
chego e te dou um viés
pra ires e vir
que eu não chego aos teus pés
nem aos teus cabelos
e eu me encontro
me divido em dois
metade remédio pros olhos
metade um cheiro tão forte
forte de descontar
descongestionar
a brisa que chega em teu lar
é fria
vai te resfriar?
corro e preparo um chá
já são pra lá de 10
chego e te dou um viés
pra ires e vir
que eu não chego aos teus pés
nem aos teus cabelos
26 de dezembro de 2012
me chamo
me considero cortês por interesse
(não vem ao caso considerar)
antes pudesse
havia um jeito de querer soltar
prenda-me nas tuas passarelas
e olha-me assim como se não fosse tão bela
em felicidade plena
sou só
sou só
mais tu
e eu
así no puede llamar
mientras yo hablo
tu pide para esperar
(não vem ao caso considerar)
antes pudesse
havia um jeito de querer soltar
prenda-me nas tuas passarelas
e olha-me assim como se não fosse tão bela
em felicidade plena
sou só
sou só
mais tu
e eu
así no puede llamar
mientras yo hablo
tu pide para esperar
25 de dezembro de 2012
carão
eu não sou tão caro assim, não sou!
hoje eu sou só carinho
espero que você me solte
me pegue, me pague
me leve e me enrole
e me guarde sem amassos
me procure em espaços
que não pode me levar
hoje eu sou só carinho
espero que você me solte
me pegue, me pague
me leve e me enrole
e me guarde sem amassos
me procure em espaços
que não pode me levar
23 de dezembro de 2012
moça que vem de perto do oceano
de onde tiraste teus olhos?
pra onde leva teu olhar?
acorda em teu sorriso atlântico
de onde tu tira teu tato?
por onde tu quer tatear?
tatuo um relógio bonito em teu braço
de onde tu sentiu sabor?
o que que quer saborear?
quebraremos um pacífico, sim
se você quiser ir, eu vou
colarei uns passarinhos na estrada
pra que você não acorde cansada
nos veremos em tão ao nascente
que se chova o mundo à meia-noite
que se durma
que se exploda
de onde tiraste teus olhos?
pra onde leva teu olhar?
acorda em teu sorriso atlântico
de onde tu tira teu tato?
por onde tu quer tatear?
tatuo um relógio bonito em teu braço
de onde tu sentiu sabor?
o que que quer saborear?
quebraremos um pacífico, sim
se você quiser ir, eu vou
colarei uns passarinhos na estrada
pra que você não acorde cansada
nos veremos em tão ao nascente
que se chova o mundo à meia-noite
que se durma
que se exploda
18 de dezembro de 2012
sob
Sob o sol
a maré
à maré estava
e amarela também
tanto é que esperava
enquanto um sorriso me dava
esperava um sorriso meu também
disse-me o vento: voe
vui
e foei
e nem me despedi
um selo de garantia
afina a garganta
assola o país
cobre a terra santa
de tantos colibris
que davas pra mim
de sorriso
eu sorriso águia
você sorri passarinho
a maré
à maré estava
e amarela também
tanto é que esperava
enquanto um sorriso me dava
esperava um sorriso meu também
disse-me o vento: voe
vui
e foei
e nem me despedi
um selo de garantia
afina a garganta
assola o país
cobre a terra santa
de tantos colibris
que davas pra mim
de sorriso
eu sorriso águia
você sorri passarinho
16 de dezembro de 2012
em que ponto você
passa a confundir em que ponto
você passa
em que?
que ponto passa em você?
você x eu
ponto pra mim
o que você espera
em que pontos da minha mostra
eu espero resposta?
em que contos
tu me engana com essa
onde passa você
com sorriso a altura
um navio reacionário
movido, em plena quarta-feira,
à reações em cadeia
onde andas em mim, você?
passa a confundir em que ponto
você passa
em que?
que ponto passa em você?
você x eu
ponto pra mim
o que você espera
em que pontos da minha mostra
eu espero resposta?
em que contos
tu me engana com essa
onde passa você
com sorriso a altura
um navio reacionário
movido, em plena quarta-feira,
à reações em cadeia
onde andas em mim, você?
onixtesia
soliterra na barriga
comendo farofa com a amalagueta
tarda mas não falha
na ponta da agulha
calha
cala
espera fazer fagulhas
enquanto costura a malha
soltando idéias de muitas mutretas
solitária da possilga
comendo farofa com a amalagueta
tarda mas não falha
na ponta da agulha
calha
cala
espera fazer fagulhas
enquanto costura a malha
soltando idéias de muitas mutretas
solitária da possilga
vuel
voltarei a vê-la
somente quando voltar a dormi-la
não sei se será
razão de meu lamento
a espera de um sacramento
no altar de igreja vazia
estou tramando com ela
um plano pra um Estado diabolaico
faltará maciez e plenitude
maciez e plenitude
maciez e planeza
maciez é plenitude e beleza
na terra do meu planeta
de nachos enrolados
lucha libre e tristeza
no país dos mascarados
somente quando voltar a dormi-la
não sei se será
razão de meu lamento
a espera de um sacramento
no altar de igreja vazia
estou tramando com ela
um plano pra um Estado diabolaico
faltará maciez e plenitude
maciez e plenitude
maciez e planeza
maciez é plenitude e beleza
na terra do meu planeta
de nachos enrolados
lucha libre e tristeza
no país dos mascarados
Considerações sobre o Sono
A pessoa que dorme está inteiramente só. Quando o homem dorme, o seu rosto se desmarca de todas as tramas e de todos os desgostos. Nada enternece mais uma mulher que o rosto do amante, dormindo. Ela se debruça sobre a face do amado e descobre que eram simples palavras todas as valentias que ele lhe vinha dizendo ou dando a entender. É quando a gente se parece menos com os mortos... é quando se está dormindo. Quanto mais pobre mais comovente o ser humano que dorme. No sono, a imobilidade das pessoas boas e confiantes é sempre desarrumada. Gente má dorme em posição de sentido. Cada travesseiro tem um lugar e uma importância definidos na vigência do sono. Não há nenhum abandono casual, nas pernas, nos braços ou na cabeça de quem dorme, porque o corpo realiza, desde que haja espaço, sua única posição realmente confortável. Experimente descobrir na mulher que dorme a seu lado, um ser infinitamente decente, muito além de sua capacidade de fazer-lhe uma razoável justiça. Quanta luz nos corpos despidos das mulheres claras! Seria uma demasia de requinte ou de louvação, fazê-las dormir sobre lençóis negros? A mais leve carícia de sua mão sobre o corpo da amada que dorme poderá quebrar a solidão do sono e a tranqüilidade da carne já não seria completa (contente-se em enternecer-se, sem tocá-la). Se for preciso despertá-la, que seja com ruídos aparentemente casuais. Ah, que intensos ciúmes, no passado e no futuro, sobre a nudez da amada que dorme! Só você a viu, só você a verá assim tão bela! Nas mulheres que dormem vestidas há sempre, por menor que seja, um sentimento de desconfiança. A amada tem sob os cílios a sombra suave das nuvens. Seu sossego é o de quem vai ser flor, após o último vício e a última esperança. Um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta. Mas, já que é isso impossível, que ao menos chova, a noite inteira, sobre os telhados dos amantes.
Rio, 17/1/1956, ANTONIO MARIA. Texto extraído do livro "O Jornal de Antônio Maria",
Editora Saga - Rio de Janeiro, 1968, pág. 42.
A pessoa que dorme está inteiramente só. Quando o homem dorme, o seu rosto se desmarca de todas as tramas e de todos os desgostos. Nada enternece mais uma mulher que o rosto do amante, dormindo. Ela se debruça sobre a face do amado e descobre que eram simples palavras todas as valentias que ele lhe vinha dizendo ou dando a entender. É quando a gente se parece menos com os mortos... é quando se está dormindo. Quanto mais pobre mais comovente o ser humano que dorme. No sono, a imobilidade das pessoas boas e confiantes é sempre desarrumada. Gente má dorme em posição de sentido. Cada travesseiro tem um lugar e uma importância definidos na vigência do sono. Não há nenhum abandono casual, nas pernas, nos braços ou na cabeça de quem dorme, porque o corpo realiza, desde que haja espaço, sua única posição realmente confortável. Experimente descobrir na mulher que dorme a seu lado, um ser infinitamente decente, muito além de sua capacidade de fazer-lhe uma razoável justiça. Quanta luz nos corpos despidos das mulheres claras! Seria uma demasia de requinte ou de louvação, fazê-las dormir sobre lençóis negros? A mais leve carícia de sua mão sobre o corpo da amada que dorme poderá quebrar a solidão do sono e a tranqüilidade da carne já não seria completa (contente-se em enternecer-se, sem tocá-la). Se for preciso despertá-la, que seja com ruídos aparentemente casuais. Ah, que intensos ciúmes, no passado e no futuro, sobre a nudez da amada que dorme! Só você a viu, só você a verá assim tão bela! Nas mulheres que dormem vestidas há sempre, por menor que seja, um sentimento de desconfiança. A amada tem sob os cílios a sombra suave das nuvens. Seu sossego é o de quem vai ser flor, após o último vício e a última esperança. Um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta. Mas, já que é isso impossível, que ao menos chova, a noite inteira, sobre os telhados dos amantes.
Rio, 17/1/1956, ANTONIO MARIA. Texto extraído do livro "O Jornal de Antônio Maria",
Editora Saga - Rio de Janeiro, 1968, pág. 42.
pare parando mesmo
que sei que você me andas
enquanto no sonho te esqueço
nos confins da minha ternura
e nos bons fins da vida, mereço
sentir um pouco de cura
fale falando, claro
e óbvio que você clareou
as línguas de quem se calou
roubou para minha'gonia
os beijos de quem te sonhou
e o sonhos de quem beijou
enquanto fala parando
para minha falácia farta
pare na minha palavra
entre na minha coberta
cale a minha resposta
fique de pronto certa
enquanto não sei se gosta
de uma noite assim
que sei que você me andas
enquanto no sonho te esqueço
nos confins da minha ternura
e nos bons fins da vida, mereço
sentir um pouco de cura
fale falando, claro
e óbvio que você clareou
as línguas de quem se calou
roubou para minha'gonia
os beijos de quem te sonhou
e o sonhos de quem beijou
enquanto fala parando
para minha falácia farta
pare na minha palavra
entre na minha coberta
cale a minha resposta
fique de pronto certa
enquanto não sei se gosta
de uma noite assim
sor
quando chega a hora
hora triste de partir
é quando nos demos conta:
há hora boa pra sonhar
e hora boa pra dormir
hora triste de partir
é quando nos demos conta:
há hora boa pra sonhar
e hora boa pra dormir
moscarada
moscas decompostas numa garrafa de cachaça
avistei que era deveras corajoso
para o último ébrio da mesa de lar
que me falte o ar, mas por favor, garçom
não me ofereça esta bebida
sei que és um homem bom
que falas "sirva-se à vontade"
e sinta-se em casa
e essas coisas habituais
de um homem bom de verdade
eu vi
há alguns meses vi
e achei que nada aconteceria
vi moscas numa garrafa de esperança
e olhe que nem estava vazia
e logo hoje vi!
que estas moscas depois desses meses
pensei que havia visto tantas vezes
que até o número me esqueci
são manchas pretas
no fundo de uma garrafa amarela
ninguém que botar pra dentro
uma cachaça mosqueada
avistei que era deveras corajoso
para o último ébrio da mesa de lar
que me falte o ar, mas por favor, garçom
não me ofereça esta bebida
sei que és um homem bom
que falas "sirva-se à vontade"
e sinta-se em casa
e essas coisas habituais
de um homem bom de verdade
eu vi
há alguns meses vi
e achei que nada aconteceria
vi moscas numa garrafa de esperança
e olhe que nem estava vazia
e logo hoje vi!
que estas moscas depois desses meses
pensei que havia visto tantas vezes
que até o número me esqueci
são manchas pretas
no fundo de uma garrafa amarela
ninguém que botar pra dentro
uma cachaça mosqueada
achado não é roubado
(eu acho que você tem dois)
você tem dois metros
acho que você tem dois
dois ponto quatro polegadas
na minha tela decifrada
você é uma miragem
uma maré de vertigem
na minha tela prolongada
eu acho que estamos à sós
um SOS de saudades
acho que você tem voz
no oceano de silêncio
acho que você é uma pós
pós-graduanda de anseios
graduada, calada, fadada a saber
uma régua escalada
escada e saber
do cheiro do calabouço
da mente
eu acho que você tem 2
um pato e uma caravela
acho que você tem mais
10 mil cavalos sem uma sela
rios de janeiro de lembranças
porém nunca me lembro
ainda estamos em dezembro
por enquanto acho que sim
você tem dois metros
acho que você tem dois
dois ponto quatro polegadas
na minha tela decifrada
você é uma miragem
uma maré de vertigem
na minha tela prolongada
eu acho que estamos à sós
um SOS de saudades
acho que você tem voz
no oceano de silêncio
acho que você é uma pós
pós-graduanda de anseios
graduada, calada, fadada a saber
uma régua escalada
escada e saber
do cheiro do calabouço
da mente
eu acho que você tem 2
um pato e uma caravela
acho que você tem mais
10 mil cavalos sem uma sela
rios de janeiro de lembranças
porém nunca me lembro
ainda estamos em dezembro
por enquanto acho que sim
10 de dezembro de 2012
um sonho com LCDF
Laura não brigue comigo
Será que você se esqueceu
Que eu ainda sou seu amigo
Que bicho que te mordeu?
Por que mereço um castigo
Você prefere VOVÔ ou JAMORREU?
Será que você se esqueceu
Que eu ainda sou seu amigo
Que bicho que te mordeu?
Por que mereço um castigo
Você prefere VOVÔ ou JAMORREU?
7 de dezembro de 2012
jogos de composições
na trilha do trem bem polido
querido como se primeiro fosse
andava só, porém vestido
fez de si porta-bandeira
das flores que nunca trouxe
pintados daquela besteira
que outrora era doce
porém nem fede nem cheira
embora tivesse assistido
que no hasteamento covil
sobre as luzes do Brasil
deveria ter insistido
porém na solidão cansou-se
e agora, de braços abertos
os olhos, talvez meio incertos
a cor, talvez meio azul
ela chegara por perto
a direção, na certa é o sul
não sei se é mata ou deserto
andava junto, só que agora nu
3 de dezembro de 2012
imaimaimaima
Imagina um taberneiro
Distante de seu balcão
Imagina o fim da televisão
Imagina o som do boeiro
Caindo na palma da mão
Da sorte de um milagreiro
Imagina uma nova toada
Com flores que você gostou
Cheiros que nunca sentiu
Cores que nunca lembrou
Agora imagina uma moda
Que não me parece falhar
Depois imagina e me acorda
Mas não me pede pra levantar
Imagina uma saúde
Saudável se fez saudade
Nós dois caindo num açude
Debaixo da água eu pude
Te ver como se de verdade
Imagina um Planeta Terra
Que você daria seu nome
Você regaria sua fé
E mataria sua fome
Num rio cheio de café
Imagina agora a verdade
E imagina também uma mão
Agora imagina ela só
Não serve de nada então
Distante de seu balcão
Imagina o fim da televisão
Imagina o som do boeiro
Caindo na palma da mão
Da sorte de um milagreiro
Imagina uma nova toada
Com flores que você gostou
Cheiros que nunca sentiu
Cores que nunca lembrou
Agora imagina uma moda
Que não me parece falhar
Depois imagina e me acorda
Mas não me pede pra levantar
Imagina uma saúde
Saudável se fez saudade
Nós dois caindo num açude
Debaixo da água eu pude
Te ver como se de verdade
Imagina um Planeta Terra
Que você daria seu nome
Você regaria sua fé
E mataria sua fome
Num rio cheio de café
Imagina agora a verdade
E imagina também uma mão
Agora imagina ela só
Não serve de nada então
2 de dezembro de 2012
sono
São tantos pensamentos oriundos
Que perco-me em adjetivos obsoletos
Derivados de minha falta de amuletos
Sobre meus questionamentos profundos
Não tenho sorte, percebi de fato
Embora tu leve-me a pensar de primeira
Que essa minha querência costumeira
Não fosse apenas eu bancando ser chato
Você parece não ter
A ânsia de me responder
Se penso e falo como mais que amigo
Meu penso é mais do que torto
Eu sei, prefiro estar morto
Que, de novo, viver um castigo
Um sonho parece estar acordado
Um homem parece estar em pé
Acho que já está falhando minha fé
Logo eu que acabei de ter amado
E eu pareço não crer
Na ânsia de ver-me a sofrer
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