31 de julho de 2014

antigamente

1]
hoje presenciei a imensidão da areia
um areial de fato
derramei um pingo de gelo derretido
foi um carinho barato
os grãos de areia me ensinaram muito de física
passei apenas para agradecer

2]
ouvir música me deixa ansioso 
nunca sei quando estão falando comigo
ou se são espíritos
ou se estão tentando me alertar de alguma situação periculosa 
como no touro que correra em minha direção
eu estava parado
e ele corria, e eu não me mexia
pois eu estava parado
a palavra é: estático
que é primitiva de estátua, será?

descobrir origem das palavras é algo que me faz sentir uma pessoa importante


30 de julho de 2014

arrasta

a minha sanidade alastra uma porção de coisas inúteis
que rebolam no mato o tempo necessário à matéria relevante
sou a plebe indiferente de minha singela e traiçoeira cama
furtivo como saci de perna mecânica
sou a própria solidão mecanizada
em natureza realmente tântrica

a ruiva casta que permeia meu lamento
tem tanta lágrima dentro de si que tem preguiça de chorar
vai se minguando num oceano de reclames
minha pobre casta, branca realmente cor de neve
sem sal
minha pobre casta, branca realmente cor de neve
sem sequer sal

22 de julho de 2014

natal é assim

você é já ou já é
você me bota firmeza
com um usual boto fé
mistura o pó de café
com aquele chá de sachê
e analisando o que eu disse
você diz pode crê

me diz aí
menina o que eu falei pra você
se o sol se parte, já é tarde
ow, não vai esquecer
e vai subindo a camisa
que aqui é a terra da brisa
se tá de baixa me avisa
que eu quero salvar você

Refrão:

Natal
é assim
alguns lhe dizem pequena
mas cê foi feita pra mim
parece aquela morena
cheirosa como um jasmim
e quente feito o demônio
é, é natal é assim

então qual foi?
tu chega de bobeira e qual é?
diz que me ama de rocha
só pra ganhar picolé
mas tem que ser caicó
e de cajá, ainda mais
que a larica quando bate
não te deixa em paz

aí fudeu
o cara acabou de passar
com a magrela voando
e só faltou empinar
mas não se invoque boyzinha
que eu posso pegar a minha
cê vai no quadro da bike
e quando voltar tá novinha

Natal
é assim
alguns lhe dizem pequena
mas cê foi feita pra mim
parece aquela morena
cheirosa como um jasmim
e quente feito o demônio
é, é natal é assim

outra rodada
estamos bem longe da igreja
a gente bebe na praça
vinho, cachaça e umas breja
enquanto eu separo a massa
você espera e boceja
e quando finda a madrugada
tá todo mundo limpeza

eu to de boa
curando a ressaca na praia
tomando uma de leve
aqui sentado nas palha
arriando uma com os boy
falando das minissaia
tomando caldo que dói
eu não sou alves, não sou maia
por que eu sou de

Natal
é assim
alguns lhe dizem pequena
mas cê foi feita pra mim
parece aquela morena
cheirosa como um jasmim
e quente feito o demônio
é, é natal é assim




17 de julho de 2014

vi

F         Cm C#m      
vi. será que vi mesmo?
F
não sei
Bbm      Cm7/5    C#7
o bom é desver. será?
Bbm         Bbm/G# Bbm/G Bbm/F#
desvi e virei. talvez.
e então desviei o olhar

F         Cm C#m
revi. pra que fui rever?
F
cadê?
Bbm      Cm7/5    C#7
queria te ver, sei lá
Bbm         Bbm/G# Bbm/G Bbm/F#
reviravoltei pra ter
a chance de você voltar

F         Cm C#m
vivi. te vi duas vezes
F
meu bem
Bbm      Cm7/5    C#7
me viro pra não me notar
Bbm         Bbm/G# Bbm/G Bbm/F#
vivia comigo, você
e agora você vive lá

Bbm F D#m
e lá e lá e lá e lá e lá ê
e lá e lá e lá e lá e lá lá
e lá e lá e lá e lá e lá ê
a chance de você voltar

A pele

A pele dela tem nome de sentimento
no momento em que me empolo em seu cabelo
o seu tato é chamado de apelo

apelo pela pele
que peleja!
pelo que você deseja
só peço que me revele

repele-me da minha natureza
se teu pé lá na beleza
é calçada da fama

de longe só vejo pele
de perto assim só pelo
se ela já foi na calçada
ver minha pele pelada
junto de quem tenho zêlo
não sou rei pelé
nem quero sê-lo