29 de agosto de 2010

daqueles antigos

Um daqueles poemões antigos
sem a barbárie da vanguarda,
que deixando os desejos de outrora
me fizeram e disseram palavras de sufoco
Quais são, meu bem? Quais são?
as mesmas da primavera de flores caídas

Se é assim, que me tirem os pulmões!
cigarros alados, ala dos doentes ao meio dia
não tem sequer poesia,
quanto mais poema em prosa...
quanto mais cheiro de rosa
E o nome dela é Maria

Médicos portugueses me explicam
o real sentido do dextrogismo
Girando para direita, girando para direita
o relógio voraz não alarma à meia-noite
E você, princesa, é guia da manhã
é cadente de brilho,
e inocente, pura e vã

"Deixa em paz meu coração
que ele é um pote até aqui de mágoa"
Chorando e cantando,
soluçando, um fiasco! Um berrante marcado,
quiasmo mesmo...
Obrigado por vossas palavras
retribuo com grosserias!

2 de agosto de 2010

arte da inexpressividade

Não sei pra que vivo,
só sei que não estou pra escolher
Me aceite como eu vim

Podia estar matando, roubando seus filhos
querido amigo, eu sou a cara da riqueza
não peço seu dinheiro,
quanto mais sua vontade de me ver feliz
um triz e eu tenho o mundo
se quis assim, não foi nada planejado
meticulosamente arrumado eu cresci pra vencer (com aspas)

Não sei pra que vivo,
só sei que não estou pra escolher
Me aceite como eu vim

Se agora estou amando, e fazendo filhos
eu peço caridade e me amparo no meu rei
o sol não é pra todos, nem todos os velhinhos estão num asilo
nem procurando alguém pra lhes dizerem o que eu não sei

Porque o que eu sei, eu procurei esquecer,
se foi alzheimer ou uma pancada, eu procurei esquecer
se foi um tiro no peito, se eu estou no caixão
Nada é maior que uma desilusão
Então não sei...

Não sei por que vivo
só sei que não estou pra escolher
Me aceite como eu vim