18 de julho de 2015

picolé caseiro de caicó

subi a branca duna, fina, linda e pura
mais pura duna branca que eu nunca vira
ouvirás o fato de amolecer rapadura
tá me parecendo que é algo de dom de cura
fura o meu peito dilaceradamente na mira

no balançado o punho dá 5 rangidos
mais que o suficiente pra eu conseguir parar
vou caminhando nas bases dos teus tecidos
saúdo os olhos que por mim foram lidos
lido com a falta deles quando os meus querem fechar


11 de julho de 2015

bolso de vovó

o que será que tem
no bolso de vovó
que cirinho ouve tilintar
tilinta, tilinta
descendo a ladeira
cintila, cintila
voltando de lá

mas que bolso grande
florido, cabe tudo dentro
cabe umas pratinha pra coca
confeito, algodão e coentro

vovó
a senhora tem uma moedinha sobrando
ela fingia não saber que tinha
botava a mão no bolso
e procurava
era um vestido florido
que nunca vi ninguém vesti
e as mocinhas ainda tentam
sabem que florir vestido é fácil
anexar bolsos que é complexo
é calmo como a tardinha
sereno, tranquilamente
no ritmo de dona autinha

9 de julho de 2015

blues se oriente

como é que tu bateu aqui tão perto
podia bater em marte ou jupiter
doutor
eu não me engano
até onde eu sei
não sou marciano

nossa pupila aprende e reza
reza a lenda que eu vivi na pressa
de passear
em tua mão
como um brado retumbante e forte
no meio do salão

sabe que fiquei na tua sombra
e você quer o sol à pino
veja, se pequei na sua lombra
foi meu riso de menino
sapo cabelo não nasce
triste
foi o tempo que lhe fez pensar demais
a observação que faço
existe
é o tempo que me faz correr atrás

vento vida vela leva-me daqui
belchior já me avisara a tempo
vou me aninhar
no meu colchão
como um gato relutante a sorte
da manhã vai ser teu short
no meio desse vão

4 de julho de 2015

pra acontecer

cadê aquela cadência que a gente não vê mais
vai ver só universo disperso nos jornais
os animais estão celebrando na vizinhança
o povo ta dizendo que você caiu na dança

no mei da rua vem a passeata celebrando
tem chumbinho de menino buchudo estalando
o gato de jurema de maria faz 3 dias
que mia toda hora pra tentar lhe dar bom dia

aquele pé de pau que só dá olho de pombo
se balançou sorrindo porque eu levei um tombo
correndo aperreado na rua de pedra quente
bebi a tarde inteira pra tentar ficar valente

o mundo tá girando 
e eu não criei coragem

de nada adiantou a bebedeira a tarde inteira
e eu nem preciso dizer que ainda é terça-feira
meu short jeans fuleira abriu um rasgo imenso
e aqui da minha calçada o calor ainda é intenso

vejo as faixas lá de longe se esvaindo à noitinha
mamãe mandou joão neto passar simbora pra dentro
ela tá preocupada pra ele não pegar sereno
e eu to sem saber se eu sorrio eu se eu aceno

menina tão sabida teu chinelo é invocado
pisa bem de mansinho no meu coração castigado
enquanto eu vou bebendo sorrateiro e à mercê
meu universo se dispersa por causa de você

e o mundo tá girando
e eu não criei coragem