Am E C
vá com Deus
ou satanás
mas vá
AM E F FM
vá pro inferno,
ou vá em paz
mas vá
-------------------------
aquário
passeei nas curvas que me interessam hoje, apesar de não estarem tão acessíveis. o sabor da pele plácida vagueia nas papilas que degustaram o revés das tuas orelhas. no sumário do teu livro não há apenas as coisas que se devem relevar: somos nós dois à revelia do mar. você anseia. eu, baleia. bailando no balaio afim de te consumar.
29 de novembro de 2013
sudorese
no batente, descalço
confundo tua imagem com anestesia
sorrio à lembrança
num afago
revolto a minha calmaria
não quero descer
não me apego
mas não desço
no revés da fuligem
penerei a poeira do meu pé
cansado
do batente: descaso
desdenhei uma rosa-dos-ventos
que me aponta para sudorese
só vi você no reflexo
do espelho
do relógio
não quero descer
não me entrego
mas não desço
confundo tua imagem com anestesia
sorrio à lembrança
num afago
revolto a minha calmaria
não quero descer
não me apego
mas não desço
no revés da fuligem
penerei a poeira do meu pé
cansado
do batente: descaso
desdenhei uma rosa-dos-ventos
que me aponta para sudorese
só vi você no reflexo
do espelho
do relógio
não quero descer
não me entrego
mas não desço
27 de agosto de 2013
benigno
benigno
ao certo não sei o que somos
um bloco de rocha caseiro
uma queda d'água
um bloquinho natural
cama de alvenaria e colchão de areia
pertinho de um pote de cotonete
ajuda a passar o calor
o calafrio que me dá
pela falta de ventilador
odeio matacões
almejo ser benevolente
e almeida é mesmo que planície
eu sou o almirante do planalto
completamente cheio de tolice
quando meu cão toma-me de assalto
e late-me benigno xerife
ao certo não sei o que somos
um bloco de rocha caseiro
uma queda d'água
um bloquinho natural
cama de alvenaria e colchão de areia
pertinho de um pote de cotonete
ajuda a passar o calor
o calafrio que me dá
pela falta de ventilador
odeio matacões
almejo ser benevolente
e almeida é mesmo que planície
eu sou o almirante do planalto
completamente cheio de tolice
quando meu cão toma-me de assalto
e late-me benigno xerife
21 de julho de 2013
zelo
zelando
procurei sua biodiversidade
encontrei
na toalha uma divindade
explodi de certeza
e cravando seus dentes com destreza
desviei
e voltei
à toalha uma diversidade
que o mundo não saiba o que faço
pra zelar minhas canelas finas
procurei sua biodiversidade
encontrei
na toalha uma divindade
explodi de certeza
e cravando seus dentes com destreza
desviei
e voltei
à toalha uma diversidade
que o mundo não saiba o que faço
pra zelar minhas canelas finas
16 de julho de 2013
...
bolo de laranja com casca
capim-santo, não há a chance de milagrar?
na pele elastoplástica, uma observação estrambólica:
teu pé não vejo em qualquer jardim!
planta um pé de você pra mim?
a força da mulher traduzida em um só canino:
cuja armadura protubera a certeza de um sorriso
sob um ímã de geladeira, um aviso:
amanhã opero o meu ciso
corri
capim-santo, não há a chance de milagrar?
na pele elastoplástica, uma observação estrambólica:
teu pé não vejo em qualquer jardim!
planta um pé de você pra mim?
a força da mulher traduzida em um só canino:
cuja armadura protubera a certeza de um sorriso
sob um ímã de geladeira, um aviso:
amanhã opero o meu ciso
corri
14 de julho de 2013
2 de julho de 2013
andirá doméstico
nas asas do meu andirá doméstico
prometo nunca mais voltar, prometo
descendo o xororó do riacho preto
são palavras castas do meu amigo
abaetê moreno
sábio e ríspido
como um furtivo "não"
o silêncio que precede a anunciação
vende berço doirado pra se procriar
meu nome é apuiarés:
onde eu fico
é onde quero ficar
prometo nunca mais voltar, prometo
descendo o xororó do riacho preto
são palavras castas do meu amigo
abaetê moreno
sábio e ríspido
como um furtivo "não"
o silêncio que precede a anunciação
vende berço doirado pra se procriar
meu nome é apuiarés:
onde eu fico
é onde quero ficar
27 de junho de 2013
^
vale-me de amor, coragem
e eles terão assim um pedaço
um risco no joelho ferido
temperado com o saibro cansado
é um risco configurado
no olhar de tu destemido
vale-me de amor, coragem
e eles terão assim um pedaço
uma obsoleta vontade
de se jogar de um penhasco
na penumbra, o céu, ricochete
no cabeça um véu de saudade
vale-me de amor, coragem
e eles terão assim um pedaço
e eles terão assim um pedaço
um risco no joelho ferido
temperado com o saibro cansado
é um risco configurado
no olhar de tu destemido
vale-me de amor, coragem
e eles terão assim um pedaço
uma obsoleta vontade
de se jogar de um penhasco
na penumbra, o céu, ricochete
no cabeça um véu de saudade
vale-me de amor, coragem
e eles terão assim um pedaço
~
[canto a rua que não me dá bola]
na curva valorizei a cadência
no cume fortifiquei o cadarço
no centro de meu desopilo
desfiro-me a favor do recharço
desconjuro o teu alvoroço
e infesto com pragas de tacho
a rua sob celestial conformidade
é a mesma que me dilacera
à maneira falciforme
é piche rachado agonia
com britas que falam em braile
quem passa correndo apressado
não sente o que quer dizê-la
um afronte à negra donzela
clamando por calamidade
sob celestial conformidade
é a mesma que me dilacera
à maneira falciforme
crueldade
na curva valorizei a cadência
no cume fortifiquei o cadarço
no centro de meu desopilo
desfiro-me a favor do recharço
desconjuro o teu alvoroço
e infesto com pragas de tacho
a rua sob celestial conformidade
é a mesma que me dilacera
à maneira falciforme
é piche rachado agonia
com britas que falam em braile
quem passa correndo apressado
não sente o que quer dizê-la
um afronte à negra donzela
clamando por calamidade
sob celestial conformidade
é a mesma que me dilacera
à maneira falciforme
crueldade
20 de junho de 2013
sacada
na quadra: 10 meninos criados em apartamento
e na sacada do primeiro andar
um menino criado em apartamento
triste
por não ter a liberdade triste
dos meninos criados em apartamento
e na sacada do primeiro andar
um menino criado em apartamento
triste
por não ter a liberdade triste
dos meninos criados em apartamento
19 de junho de 2013
mesa
Em D G Am
Em
Vê o vermelho estampado da vergonha
É uma fachada como a sua cerimônia
É uma piada! o contraste da parede
Só pode ser coisa da sua cabeça
Não quero nos destruir com sua dúvida
Se quiser conferir
é só chegar número 327
Há uma luz vermelha
Em
não ponha a mesa que eu só chegarei mais tarde
D
e não faça alarde se hoje eu não chegar
e não faça alarde se hoje eu não chegar
Em
na rua da concórdia em plena madrugada
na rua da concórdia em plena madrugada
F#m G F#m Em
a luz cabaré causa discórdia neste lar
a luz cabaré causa discórdia neste lar
Vê o vermelho estampado da vergonha
É uma fachada como a sua cerimônia
É uma piada! o contraste da parede
Só pode ser coisa da sua cabeça
Não quero nos destruir com sua dúvida
Se quiser conferir
é só chegar número 327
Há uma luz vermelha
7 de junho de 2013
pepe mujica
ao som do chafurdo dos pássaros
no mar de alpiste
em riste me disseste:
não ficai triste
farei um mar de alpiste
para você também
solavanco
na indeferida cor
ela me arrodeia aos prantos
e em sólida maçã, garante:
não há solidez na ferrenha face
fisgada pelo cansaço
bem decidida face:
rosto escuro na penumbra dos olhares
quando tu fores e voltares
me traga um chá de hortelã
com a água fervida nos indecisos
e imprecisos raios solares desta eterna manhã
acordei num solavanco, prostrei-me de prontidão
não há solidão da face fugaz
nunca, jamais
plenitude e delicadeza
um misto de pluripartidarismo
com o branco bordado dos orixás
é branca
e bordada pele
na face oculta desta moça
e deste rapaz
3 de junho de 2013
brasileiro profissão sono
o quarto gira
num carrossel
é sonho
e acordar com sono
é a minha profissão
no portugal, com o tiago
eu como um sarapatel
à mais
e acordar com sono
é a minha profissão
palindromia
é a arte de amar o avesso
e acordar com sono
é a minha profissão
o amor traz novas flores
no jardim da solidão
e num clichê barato
rega
ouvindo reggae
no beat-box do refrão
acordar com sono
é a minha profissão
num carrossel
é sonho
e acordar com sono
é a minha profissão
no portugal, com o tiago
eu como um sarapatel
à mais
e acordar com sono
é a minha profissão
palindromia
é a arte de amar o avesso
e acordar com sono
é a minha profissão
o amor traz novas flores
no jardim da solidão
e num clichê barato
rega
ouvindo reggae
no beat-box do refrão
acordar com sono
é a minha profissão
28 de maio de 2013
o dia em que eu e catarina descobrimos o açaí em natal
Muitos foram os dias divertidos no centro da cidade. Dias de ganhar dinheiro aos 12. Dias de vender livros de almanaques que ninguém lia e que não se podia comê-los. Dado que, geralmente, os trocávamos por comida, e as informações de mundo que obtive andando pela avenida rio branco, correndo atrás de ônibus, e prestando atenção na conversa dos outros, me fizeram crescer mais que informações sobre a demografia da Patagônia. Porém, um fato curioso ilustrou bem minhas idas à cidade antiga.
Catarina. Este é o nome da minha Sancho Pança. Não lembro sequer o por quê de estarmos lá fazendo aquilo, mas lembro-me de ela ter seus 15 anos (o que me levava a ter 9 anos), e lembro-me bem que estávamos a procura de um emprego para ela. Não precisava desse emprego, mas procurei nos classificados da Tribuna do Norte e lembro que encontrei uma vaga de atendente de locadora de fita VHS. Naquela época, as locadoras ainda viviam sua fase áurea. E eu comemorava esse momento com minha irmã.
Chegamos ao referido local. Um muquifo. Um quartinho com 3,4 filmes realmente bons que não sei como se sustentava. Claro que ela não ia trabalhar naquele local. Ela realmente não precisava daquilo.
Como era de praxe, um lanche. Um lanche próximo à locadora. Um lanche de descoberta! Não sei como aquilo nos chamou atenção, talvez Catarina, que sempre fora muito bem informada em suas revistas, talvez de dietas, leu a respeito de uma coisa (uma fruta, mais precisamente) chamada açaí. Isso mesmo. Açaí. Provavelmente o dono era de Belém do Pará e havia acabado de chegar na região. Com um cardápio discreto, porém de vanguarda, tínhamos a opção de sucos de cupuaçu e açaí. Mas não deu outra. Assim como a maioria de hoje em dia, escolhemos o de açaí. E não era o açaí convencional que vemos hoje,visto que esse açaí não existia até então. Era um copo de um suco muito escuro e roxo que dava vontade de se deliciar, porém havia receio. Não sabia do que se tratava esse tal de suco de açaí...
E assim como os gerentes da Xerox, que indubitavelmente disseram "não" ao projeto apresentado a eles, de um computador pessoal pelo antigo sócio da Apple, Steve Wozniak, eu disse "não". Foi o mesmo "não". O "não" de quem não tinha a visão empreendedora. De quem não tem a visão empreendedora. "Como uma coisa pode ser tão ruim?", "Tem gosto de terra!!", "Pelo amor de Deus, Catarina, você não sabe escolher suco!", "Deveríamos ter escolhido cupuaçú...". Essas reclamações soaram nos anos seguintes ao fato, até uma certa lanchonete conhecida até hoje por "Açaí do Joca Jr." foi criada em Natal. Eu disse, rispidamente: "pft! Não dura uma semana... Com um negócio ruim desses!". Virou febre. Virou mania de todos, inclusive minha, que me derreti aos sabores do norte. Talvez meu paladar tivesse fraco para aquilo, ou talvez o cara que nos fez o suco não soubesse fazer. Não procurei explicações. Só sei que cada vez que me delicio com o meu açaí de 500 mL, com leite ninho, farinha láctea, ovo maltine, leite condensado, granola, y muchas cositas más, eu penso: eu que descobri isto aqui. Eu não preciso dizer a ninguém. Mas eu sei. Catarina sabe. O cara que nos fez o suco e provavelmente faliu porque não sabia fazer uma coisa gostosa sabe. Eu que descobri o açaí em Natal.
E minha irmã passou muito tempo para procurar um emprego de novo. Acho que meus pais não souberam da nossa aventura. Procurar emprego? Acho que eles ficariam deveras chateado com essa atitude. Uma atitude de liberdade, uma expressão de duas crianças de vivenciar o mundo adulto, uma fuga, uma necessidade. Talvez ela soubesse desde sempre que não iria aceitar e me fez sentir importante por procurar um emprego no jornal e ela aceitar. Ela é bem dessas.
Acho que ela precisava daquilo.
26 de maio de 2013
ego.com
Top da 'barriga negativa' posa nada básica, de 'cowgirl' sexy
filho de sandra bullock sai todo 'pimpão' de super-homem
daniela mercury volta a falar de opções: 'só faço o que eu quero'
nomes iguais na certidão? SIM!
vejam os famosos nessa situação!
adam sandler aparece gordinho
faro cobre tatuagem dedicada à winitis
solange couto perde 26 kg
filho quer que ex-bbb namore
filho de sandra bullock sai todo 'pimpão' de super-homem
daniela mercury volta a falar de opções: 'só faço o que eu quero'
nomes iguais na certidão? SIM!
vejam os famosos nessa situação!
adam sandler aparece gordinho
faro cobre tatuagem dedicada à winitis
solange couto perde 26 kg
filho quer que ex-bbb namore
ode ao temporal
nas encostas argilosas
tem um choro receoso de culpa
que se pergunta "será?"
será que é culpa minha acabar
com esse barracão cansado
de não conseguir se aguentar
é culpa
e apreensão
é culpa e apreensão
de ver a terra desandar
e correr
carregando um solo culposo,
uma casa e um bode expiatório
que desvia a atenção da culpa
e faz esquecer a apreensão
é terra
e lamentação
é terra e lamentação
de ver a terra desandada
morrer
tem um choro receoso de culpa
que se pergunta "será?"
será que é culpa minha acabar
com esse barracão cansado
de não conseguir se aguentar
é culpa
e apreensão
é culpa e apreensão
de ver a terra desandar
e correr
carregando um solo culposo,
uma casa e um bode expiatório
que desvia a atenção da culpa
e faz esquecer a apreensão
é terra
e lamentação
é terra e lamentação
de ver a terra desandada
morrer
cigarro canção
cigarro-canção
na mochila um misto-quente
com queijo, presunto e saudade
uma garrafa térmica com vitamina de ansiedade
e um mar de café desembocando
num rio de apreensão
um chá de calamidade
uma ponta de esperança
num cigarro-canção
uma fossa séptica cheirando à brasilidade
tudo temperado com sazón
sabor carne de avião
solitariamente
eu e as coesão das areias
cisalhadas numa cumbuca com gelo e limão
sorrindo um sorriso maldade
um plus de delicadeza
luzindo uma fresta de diversão
na mochila um misto-quente
com queijo, presunto e saudade
uma garrafa térmica com vitamina de ansiedade
e um mar de café desembocando
num rio de apreensão
um chá de calamidade
uma ponta de esperança
num cigarro-canção
uma fossa séptica cheirando à brasilidade
tudo temperado com sazón
sabor carne de avião
solitariamente
eu e as coesão das areias
cisalhadas numa cumbuca com gelo e limão
sorrindo um sorriso maldade
um plus de delicadeza
luzindo uma fresta de diversão
pássaro aberto à nova ortografia portuguesa
um pássaro aberto a nova ortografia portuguesa:
que beleza de ave, não?
um voo constipado
as pena arrupiada preta
é pássaro humilde porreta
cantando com meu violão
ele estendeu seu corpo
num varal elétrico
preso num pé de concreto armado
choque não leva
é pé de pássaro preto
pregador tufão
uma beleza de ave, não?
canta as dores da cidade
no baixo do meu violão
que beleza de ave, não?
um voo constipado
as pena arrupiada preta
é pássaro humilde porreta
cantando com meu violão
ele estendeu seu corpo
num varal elétrico
preso num pé de concreto armado
choque não leva
é pé de pássaro preto
pregador tufão
uma beleza de ave, não?
canta as dores da cidade
no baixo do meu violão
5 de maio de 2013
quero ver
D7+/5 C7+/5
parou e nunca teve tempo de olhar o mar
parou e se esqueceu que o tempo existe
parou de insistir em ler jornais e acreditar
que até mesmo em casa há espaço pra ser triste
A7+ G+
D7+ C7
quero ver
o cartaz de mim
Bm Bm/A G#º G6
Saiba se quiser sair
é só colocar um chapéu
se orientar pelo sol
se pintar da cor do céu
onde as ruas são estreitas
outros becos ligam elas
o átrio do meu coração
procura uma janela
pra defenestrar o amor
e puxar por uma corda
toda a desilusão
que nunca me foi posta a prova
cansou de ver a vida como velho e foi nadar
casou com sua velha namorada e comprou
um cachorro preto, uma roupa nova e um colar
que um índio que trajava calças jeans forjou
quero ver
um cartaz de nós
parou e nunca teve tempo de olhar o mar
parou e se esqueceu que o tempo existe
parou de insistir em ler jornais e acreditar
que até mesmo em casa há espaço pra ser triste
A7+ G+
D7+ C7
quero ver
o cartaz de mim
Bm Bm/A G#º G6
Saiba se quiser sair
é só colocar um chapéu
se orientar pelo sol
se pintar da cor do céu
onde as ruas são estreitas
outros becos ligam elas
o átrio do meu coração
procura uma janela
pra defenestrar o amor
e puxar por uma corda
toda a desilusão
que nunca me foi posta a prova
cansou de ver a vida como velho e foi nadar
casou com sua velha namorada e comprou
um cachorro preto, uma roupa nova e um colar
que um índio que trajava calças jeans forjou
quero ver
um cartaz de nós
22 de março de 2013
21/03/2013
uma postura macambúzia
luzia uma fresta de adversão
ao que é apenas parte
de um mix de febre e introversão
preciso aguar tuas plantas
pois já terminou o verão
você me trouxe fuligem
num pote de solidão
sois a tal da esperança
que ontem ouvi na canção
luzia uma fresta de adversão
ao que é apenas parte
de um mix de febre e introversão
preciso aguar tuas plantas
pois já terminou o verão
você me trouxe fuligem
num pote de solidão
sois a tal da esperança
que ontem ouvi na canção
20 de março de 2013
reconciliar-se
está um calor em marte
faz parte
reconciliar-se à maneira afásica
da alegoria clássica
do universo mundano em si
sou eu
assim calado
por um fio desconsiderei
a hipótese de por um triz
sou eu
sou eu: atriz
à triz
até a atriz, tesa
quer me ver feliz
mais um pouco me desvela o desafio
cancioneiro são
e salvo
cão e calvo
é a puta que pariu
faz parte
reconciliar-se à maneira afásica
da alegoria clássica
do universo mundano em si
sou eu
assim calado
por um fio desconsiderei
a hipótese de por um triz
sou eu
sou eu: atriz
à triz
até a atriz, tesa
quer me ver feliz
mais um pouco me desvela o desafio
cancioneiro são
e salvo
cão e calvo
é a puta que pariu
poemas compartilhados
"um balanço"
Bm D G F#m
um pouco mareado pelo balanço
ondulado
um descanso
ensaiado
desconfortante como fila de espera
Em7/5 A7
é mar
e anatômica
é mar
e anacrônica
é mar
D7m
e fila de espera também
sobre o asfalto negro, uma profecia
o sertão metaforizado no calor e agonia
de que, se deus quiser, se tornaria um dia
o mar
que trouxe, em ressaca, o verão
e você me dizendo num solfejo
que o mar virou sertanejo
no breu do inferno do meu dia
--------------------------------------------
"jovens inócuos"
jovens inócuos a espera da diligência
somos tu
os réus passivos do amargor
sem juízo
assíduos praticantes do amor
------------------------------------------------
"sedes"
o marulho perturba:
e cai a cal da parede
e cai o tijolo
me dano às redes
de novo
à revelia do mar
o motor estarrece
a manhã aborrece
cai a lágrima à maçã
e caibro em cima da casa
me dano a existir
só eu
ao bel prazer do oceano
"ledo engano"
foi a última mensagem que captei
tornado perspicaz
sou eu em harmonia
com a revelia do marasmo
alforria tropical
entreposto em pleonasmo
tou bailando ao carnaval
o óleo de peixe é o lubrificante
da engrenagem
postulante à margem
do oscilante
reagem a oscilação
face a observação
de ante-mão
persevera
e corta
e rasga
e chora
sedes flora
sedes flora
Bm D G F#m
um pouco mareado pelo balanço
ondulado
um descanso
ensaiado
desconfortante como fila de espera
Em7/5 A7
é mar
e anatômica
é mar
e anacrônica
é mar
D7m
e fila de espera também
sobre o asfalto negro, uma profecia
o sertão metaforizado no calor e agonia
de que, se deus quiser, se tornaria um dia
o mar
que trouxe, em ressaca, o verão
e você me dizendo num solfejo
que o mar virou sertanejo
no breu do inferno do meu dia
--------------------------------------------
"jovens inócuos"
jovens inócuos a espera da diligência
somos tu
os réus passivos do amargor
sem juízo
assíduos praticantes do amor
------------------------------------------------
"sedes"
o marulho perturba:
e cai a cal da parede
e cai o tijolo
me dano às redes
de novo
à revelia do mar
o motor estarrece
a manhã aborrece
cai a lágrima à maçã
e caibro em cima da casa
me dano a existir
só eu
ao bel prazer do oceano
"ledo engano"
foi a última mensagem que captei
tornado perspicaz
sou eu em harmonia
com a revelia do marasmo
alforria tropical
entreposto em pleonasmo
tou bailando ao carnaval
o óleo de peixe é o lubrificante
da engrenagem
postulante à margem
do oscilante
reagem a oscilação
face a observação
de ante-mão
persevera
e corta
e rasga
e chora
sedes flora
sedes flora
barra
uma coisa sei
que não forcei
a barra
acho que até tentei
mas não tive cara
de continuar
ou essa barra
que por ventura
forçara
fosse a mais leve
e fraca delas
sensível
com alto índice
de fragilidade
que não forcei
a barra
acho que até tentei
mas não tive cara
de continuar
ou essa barra
que por ventura
forçara
fosse a mais leve
e fraca delas
sensível
com alto índice
de fragilidade
13 de fevereiro de 2013
quimica
inorganicamente certos
uma tetraédrica
de força nuclear forte
uns prótons
uma sorte
eu te polarizo
você me oxida
e eu regresso
e vou.
microscopicamente unidos
somos mais que mil
você me ioniza
eu te átomo
eu te átomo
8 de fevereiro de 2013
eles inverjam
você parece que trouxe o verão
e eles, verão
que você me trouxe também
há uma varanda, vê?
é breve a lembrança
desse tempo pequeno
é breve esse pequenino tempo
também
e eles, verão
que você me trouxe também
há uma varanda, vê?
é breve a lembrança
desse tempo pequeno
é breve esse pequenino tempo
também
muito pé, pouco pano
uma alvorada
resplandece e aflora
são traços tortos parece
somos nos dois soltos
é só uma briga
uma quermesse
somos só nós 2 soltos
envoltos
pouco
é só um pé pra fora
é só um lençol pequeno
é você parabólica
e eu absorto
somos só nós dois soltos
vendendo-nos
aos nós
vendados
aos lencóis
resplandece e aflora
são traços tortos parece
somos nos dois soltos
é só uma briga
uma quermesse
somos só nós 2 soltos
envoltos
pouco
é só um pé pra fora
é só um lençol pequeno
é você parabólica
e eu absorto
somos só nós dois soltos
vendendo-nos
aos nós
vendados
aos lencóis
5 de fevereiro de 2013
mix de plurais
triz
por um triz
não fomos
por um triz
não somos
agora há uma brecha folgada
para sermos
--//--
claridade e clareza
você me pede menos claridade
clareza
menos claridade
e careza:
que somos banais!
vou dormir pra te deixar ler
acendo a luz do abajour
você é a genialidade em mim
eu sou a banalidade de você
--//--
correnteza
vou limpar a consciência
num banho
em um transparente box
e janelas para o mundo ouvir os bingos
caindo em sons abafados
estamos elevando a nós mesmos
contra a correnteza do chuveiro
--//--
claridade e clareza
você me pede menos claridade
clareza
menos claridade
e careza:
que somos banais!
vou dormir pra te deixar ler
acendo a luz do abajour
você é a genialidade em mim
eu sou a banalidade de você
--//--
correnteza
vou limpar a consciência
num banho
em um transparente box
e janelas para o mundo ouvir os bingos
caindo em sons abafados
estamos elevando a nós mesmos
contra a correnteza do chuveiro
recursos humanos
Rotina Hipotética
chora pela manhã
e se acanha pro entardecer
ouve a cigarra e berra
serra as unhas de preguiça
se assanha pro amanhecer
acende um cigarro e berra
será que o frio e cobiça
traz mais um sol?
fecho a cortina às 9
que já tem sol demais
você ficou corada de ontem
e me vem falar de fome
toddy e misto-quente
pode um café pra depois?
tô apelando pra tv
chora e agora nem sei porquê
você projeta mais sol
e me põe pra dormir às 10
o que fiz?
o que fez?
ondas preguiçosas
30 de janeiro de 2013
crise existencial
Começou quando fui ao mercado e comprei shampoo para cabelos cacheados. No auge de minha luta travada anti-caspas, acho que isto foi resultado de uma defesa de meu organismo para conter os gastos excessivos com esses falsos produtos que tornam-se exorbitantes na contagem regressiva para o fim do meu dinheiro em cada mês. Aliás, acho não. Achava, dado os outros acontecimentos que passei nesses dias.
Em casa, fiquei 5 horas inerte ao dia. Acho que se o "dia" fosse um adolescente, ele provavelmente faria bullyng comigo por não o aproveitar bem. E eu seria reconhecido por meus semelhantes por isso. Em outros dias, haveria mais preocupação, porém neste não. Eu vivi intensamente minha vontade de morrer. E saudava comigo mesmo este acontecimento. Brindei ao fim da tarde (só) com uma bela xícara de café que me deu calor e uma pequena vontade de chorar. Não resisti. E mais uma vez, algo que nunca me fora acometido.
No dia seguinte, ao sair pelo portão de casa, já achava uma verdadeira palhaçada o esforço do vizinho de parecer simpático. E eu até gosto dele, mas naquele momento, suas atitudes me pareceram um tanto enigmáticas, e eu passei a tê-lo como forte candidato a primeiro lugar de lista de pessoas que eu não sei nada sobre. Vi no vidro do carro que o shampoo dera certo. Um tolo de não perceber o que estava realmente acontecendo. Porém, estava o cabelo mais enrolado, quebrando a barreira do incrivelmente indefinido que ele vinha seguindo. Não podia me dar o luxo de escolher o shampoo para um tipo de cabelo, se o único tipo que tenho que exigir é o "sem caspa". Liso, oleoso, crespo, macio, nunca soube definir essas coisas muito bem...
Duas aftas novas. Era tudo que precisava mesmo! Sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria que encarar um de meus maiores inimigos: albocresil. Um cauterizador de estas aftas, que podia muito bem fazer o papel de Arnold Schwarzenegger em "O Exterminador do Futuro". Esse líquido que, provavelmente era o sangue do demônio, ou alguma outra coisa qualquer que eu tinha certeza que se usa no inferno, me amedrontou por anos e anos. E eu estava prestes a usá-lo novamente. E usei. E poderia escrever um roteiro de peça, um livro e mais uma trilogia como "O Senhor do Anéis" sobre como achei a melhor sensação. Foi como ser agarrado pela mãe logo ao nascer. E eu não compreendia ainda o significado daquilo tudo.
Não tinha dado nem 21 horas. E eu já havia cochilado algumas vezes no sofá. Em uma dessas alternadas em acordar e cochilar me dei conta de o que havia acontecido. Comecei a assistir uma de minhas séries preferidas: Sherlock. O episódio, eu já havia visto 5 vezes, e todas as vezes parecia que era a primeira. Apenas com um breve olhar cada vez mais crítico e atento às maneiras que o Senhor Holmes se saía das armadilhas que Jim Moriarty o propunha. Com 43 minutos de episódio, em um dos seis clímax que me fazem girar a cabeça e o intestino, desligo a televisão. Não conseguia continuar. Não conseguia ao menos tentar. Simplesmente desliguei para deixar aquilo digerir melhor na minha cabeça. E algo se digeriu a mais.
Sob os modos de raciocinar de Holmes, juntei tomé com bebé. Havia me tornado outra pessoa.
23 de janeiro de 2013
um dia desses
Dm7 Bm7/5 E7 Am Bbº
(C) (B) A7 F#m F# Bm C#7/9-
Dº C#7 D7m (C) (B) A7
vou estar aqui por perto
a algum lugar ao norte
de um trepidar incerto
da tua esquerda forte
e eficaz
soa a tua sinfonia
num breu das três da tarde
que a cálida agonia
transluz serenidade
e algo mais
quero ver você manusear
um violão
pra solidão
se mandar
quero ver você alimentar
os grilos do quintal
com as sobras do jantar
monumental
dois sentados num sofá
será que se um
será que ciúme fica
será vinte e um
será que umidifica
será que se unifica
pra lanchar
quero te perder pra te encontrar
e a borra de café
vou ler e te contar
só mais tarde
quero ver você alimentar
os grilos do jantar
e nosso quintal ficar
o mais legal
(C) (B) A7 F#m F# Bm C#7/9-
Dº C#7 D7m (C) (B) A7
vou estar aqui por perto
a algum lugar ao norte
de um trepidar incerto
da tua esquerda forte
e eficaz
soa a tua sinfonia
num breu das três da tarde
que a cálida agonia
transluz serenidade
e algo mais
quero ver você manusear
um violão
pra solidão
se mandar
quero ver você alimentar
os grilos do quintal
com as sobras do jantar
monumental
dois sentados num sofá
será que se um
será que ciúme fica
será vinte e um
será que umidifica
será que se unifica
pra lanchar
quero te perder pra te encontrar
e a borra de café
vou ler e te contar
só mais tarde
quero ver você alimentar
os grilos do jantar
e nosso quintal ficar
o mais legal
18 de janeiro de 2013
pangeia: uma canção sobre nada
há onde permanecer o silêncio
na espera do entardecer
se nada fala sobre mim
eu digo muito de você
deve haver bem mais ali
onde tiramos tanto
onde encontramos tanto?
não bebe-se mais da fonte
de uma canção calada
e tema proposital
uma verdadeira epopeia
com sotaque canibal
ainda estamos na pangeia
da nossa vida banal
me diz onde anda essa sorte
que é hora de um jogo a mais
na solidez da cidade
onde quem sonha é voraz
e espera e nunca alcança
na rispidez duma criança
para um brinde a mais
não é a hora
não é
será que um sonho aflora
maré
não é a hora
pois é
será que uma saudade chora
deita na minha clama
e me cobre de pedido
flâmula tua saída
Neil Armstrong sabia
ele nunca esteve lá
nem você aqui
6 de janeiro de 2013
uma canção chuveirada
mirna
mirna soteropolitana
soteropoli-plus de paulista
mirna com ares de baiana
e potiguares de sulista
mirna
saia rodada de mineira
com rios chiados caipiras
ela é mirna carioca
e tem as pernas de sereia
mirna
uma soterocarioca
benzida no farol da barra
ela é mirna brasileña
com um gingado de artista
mirna
é bra bra bra bra bra brasília
é o mesmo bra de bradesco
mirna de longe me norteia
ela é soteropolitudo
com potiguares de baleia
ela é uma flor de pétalas federativas
as unidades da canção calada
a mulher mais brasileira que não conheci
com a bahianitude forjada nos mármores onde jaz
e onde o jazz nunca pisará
é um mix de pluralidade
e uma amostra grátis da perfeita singularidade em porções únicas
pequena menina feliz por trás de 1000 homens gentis
é a cor do pecante
que coloque os mercados dos covis alheios
e salve a quem me puder salvar
mirna
uma pólipoteropolissimplista
e águas azuis de noronha
o rio que eu sofro me condena
e o sol governa minha vida
mirna soteropolitana
soteropoli-plus de paulista
mirna com ares de baiana
e potiguares de sulista
mirna
saia rodada de mineira
com rios chiados caipiras
ela é mirna carioca
e tem as pernas de sereia
mirna
uma soterocarioca
benzida no farol da barra
ela é mirna brasileña
com um gingado de artista
mirna
é bra bra bra bra bra brasília
é o mesmo bra de bradesco
mirna de longe me norteia
ela é soteropolitudo
com potiguares de baleia
ela é uma flor de pétalas federativas
as unidades da canção calada
a mulher mais brasileira que não conheci
com a bahianitude forjada nos mármores onde jaz
e onde o jazz nunca pisará
é um mix de pluralidade
e uma amostra grátis da perfeita singularidade em porções únicas
pequena menina feliz por trás de 1000 homens gentis
é a cor do pecante
que coloque os mercados dos covis alheios
e salve a quem me puder salvar
mirna
uma pólipoteropolissimplista
e águas azuis de noronha
o rio que eu sofro me condena
e o sol governa minha vida
mais tato com mexilhões
o solo brando vestia-se de nós
e uma pergunta me martelava
"você prefere os laços?
você prefere os laços?"
acho que prefiro nós
e um número da sorte
rente às flores turvas oceano
uma parte óssea escondida
são cabelos no chão da maré
vestidos de despedida
explano
e você conserta a saturação das cores
que o mar é ajustável
o mar é reajustável
um baú de memórias
um solo feminino vestido de laços rosados
e um caldo bem divertido
vem você divertida de pacífico de novo
querendo brandar-me ao atlântico
1 de janeiro de 2013
um fato
havia mais de mil motivos
arrisco-me a pensar que fora
um sonho contido em displasia
de uma noite em fígados de outrora
arisco a lançar-me em desafios
deve haver mais tato
fuga em Júpiter
feliz anos-luz de espera
na fila do banco amarelo
você com sorriso laranja
bacana me sacaneia
deve haver um hiato
entre o mundo e mim
um sincero realejo diatômico
com moléculas de nitrogênio
respondes à cor do céu
são folículos de azul piscina
comprimidos entre o chão e o ar
deve haver mais tato
tem que haver mais tato
havia mais de mil motivos
arrisco-me a pensar que fora
um sonho contido em displasia
de uma noite em fígados de outrora
arisco a lançar-me em desafios
deve haver mais tato
fuga em Júpiter
feliz anos-luz de espera
na fila do banco amarelo
você com sorriso laranja
bacana me sacaneia
deve haver um hiato
entre o mundo e mim
um sincero realejo diatômico
com moléculas de nitrogênio
respondes à cor do céu
são folículos de azul piscina
comprimidos entre o chão e o ar
deve haver mais tato
tem que haver mais tato
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