o escorbuto dos piratas
falta de vitamina c
de montila ninguém vive
mas a culpa é de você
a minha cidade é triste
porque não soube crescer
em 1979 ponta negra
ninguém vê
se felipe camarão
soubesse que iria ser
só um bairro perigoso
lutaria na tv
que a tv paga bem mais
e esconde muito bem
o terror que se anuncia
e quase nunca me convém
quem plantou os flamboyants
que os homens vão cortar
está laranja como a fruta
que os piratas vão chupar
nossa van filosofia
não sabe mensurar
o peso dessa cidade
que não para de inflar
se você fosse sincera
uma marchinha valeria
mas no baldo, um acidente
acabou nossa folia
força aérea americana
vem trazendo novidade
ao invés de míssil poderoso
cadê minha liberdade
toda falta de padrão
das calçadas me faz crer
que andar pelo asfalto
lembra as falta de você
pois o perigo me espera
e quando eu saio da caverna
é para ver os meus amigos lá
estamos na era mesozóica
na terra da falta de semiótica
só se vê aquém do mar
vinho dom bosco é forte mesmo
toda manhã é que eu me lembro
não vale a pena começar
16 de agosto de 2015
18 de julho de 2015
picolé caseiro de caicó
subi a branca duna, fina, linda e pura
mais pura duna branca que eu nunca vira
ouvirás o fato de amolecer rapadura
tá me parecendo que é algo de dom de cura
fura o meu peito dilaceradamente na mira
no balançado o punho dá 5 rangidos
mais que o suficiente pra eu conseguir parar
vou caminhando nas bases dos teus tecidos
saúdo os olhos que por mim foram lidos
lido com a falta deles quando os meus querem fechar
mais pura duna branca que eu nunca vira
ouvirás o fato de amolecer rapadura
tá me parecendo que é algo de dom de cura
fura o meu peito dilaceradamente na mira
no balançado o punho dá 5 rangidos
mais que o suficiente pra eu conseguir parar
vou caminhando nas bases dos teus tecidos
saúdo os olhos que por mim foram lidos
lido com a falta deles quando os meus querem fechar
11 de julho de 2015
bolso de vovó
o que será que tem
no bolso de vovó
que cirinho ouve tilintar
tilinta, tilinta
descendo a ladeira
cintila, cintila
voltando de lá
mas que bolso grande
florido, cabe tudo dentro
cabe umas pratinha pra coca
confeito, algodão e coentro
vovó
a senhora tem uma moedinha sobrando
ela fingia não saber que tinha
botava a mão no bolso
e procurava
era um vestido florido
que nunca vi ninguém vesti
e as mocinhas ainda tentam
sabem que florir vestido é fácil
anexar bolsos que é complexo
é calmo como a tardinha
sereno, tranquilamente
no ritmo de dona autinha
no bolso de vovó
que cirinho ouve tilintar
tilinta, tilinta
descendo a ladeira
cintila, cintila
voltando de lá
mas que bolso grande
florido, cabe tudo dentro
cabe umas pratinha pra coca
confeito, algodão e coentro
vovó
a senhora tem uma moedinha sobrando
ela fingia não saber que tinha
botava a mão no bolso
e procurava
era um vestido florido
que nunca vi ninguém vesti
e as mocinhas ainda tentam
sabem que florir vestido é fácil
anexar bolsos que é complexo
é calmo como a tardinha
sereno, tranquilamente
no ritmo de dona autinha
9 de julho de 2015
blues se oriente
como é que tu bateu aqui tão perto
podia bater em marte ou jupiter
doutor
eu não me engano
até onde eu sei
não sou marciano
nossa pupila aprende e reza
reza a lenda que eu vivi na pressa
de passear
em tua mão
como um brado retumbante e forte
no meio do salão
sabe que fiquei na tua sombra
e você quer o sol à pino
veja, se pequei na sua lombra
foi meu riso de menino
sapo cabelo não nasce
triste
foi o tempo que lhe fez pensar demais
a observação que faço
existe
é o tempo que me faz correr atrás
vento vida vela leva-me daqui
belchior já me avisara a tempo
vou me aninhar
no meu colchão
como um gato relutante a sorte
da manhã vai ser teu short
no meio desse vão
podia bater em marte ou jupiter
doutor
eu não me engano
até onde eu sei
não sou marciano
nossa pupila aprende e reza
reza a lenda que eu vivi na pressa
de passear
em tua mão
como um brado retumbante e forte
no meio do salão
sabe que fiquei na tua sombra
e você quer o sol à pino
veja, se pequei na sua lombra
foi meu riso de menino
sapo cabelo não nasce
triste
foi o tempo que lhe fez pensar demais
a observação que faço
existe
é o tempo que me faz correr atrás
vento vida vela leva-me daqui
belchior já me avisara a tempo
vou me aninhar
no meu colchão
como um gato relutante a sorte
da manhã vai ser teu short
no meio desse vão
4 de julho de 2015
pra acontecer
cadê aquela cadência que a gente não vê mais
vai ver só universo disperso nos jornais
os animais estão celebrando na vizinhança
o povo ta dizendo que você caiu na dança
no mei da rua vem a passeata celebrando
tem chumbinho de menino buchudo estalando
o gato de jurema de maria faz 3 dias
que mia toda hora pra tentar lhe dar bom dia
aquele pé de pau que só dá olho de pombo
se balançou sorrindo porque eu levei um tombo
correndo aperreado na rua de pedra quente
bebi a tarde inteira pra tentar ficar valente
o mundo tá girando
e eu não criei coragem
de nada adiantou a bebedeira a tarde inteira
e eu nem preciso dizer que ainda é terça-feira
meu short jeans fuleira abriu um rasgo imenso
e aqui da minha calçada o calor ainda é intenso
vejo as faixas lá de longe se esvaindo à noitinha
mamãe mandou joão neto passar simbora pra dentro
ela tá preocupada pra ele não pegar sereno
e eu to sem saber se eu sorrio eu se eu aceno
menina tão sabida teu chinelo é invocado
pisa bem de mansinho no meu coração castigado
enquanto eu vou bebendo sorrateiro e à mercê
meu universo se dispersa por causa de você
e o mundo tá girando
e eu não criei coragem
7 de maio de 2015
sussurro
se você suspira
um doce brado ecoa
entre as curvas da orelha
eu sou o limão
claras de ovo
e açúcar
não deixe pra amanhã
o que se pode fazer depois
depois
depois
sussurro seu é mesmo que um
murro, enfim
procede a informação
são 35 decibéis apenas
and im glad to know
só eu consigo ouvir agora
se você boceja
eu bocejo também
porém prefiro cerveja
não nego a ninguém
um doce brado ecoa
entre as curvas da orelha
eu sou o limão
claras de ovo
e açúcar
não deixe pra amanhã
o que se pode fazer depois
depois
depois
sussurro seu é mesmo que um
murro, enfim
procede a informação
são 35 decibéis apenas
and im glad to know
só eu consigo ouvir agora
se você boceja
eu bocejo também
porém prefiro cerveja
não nego a ninguém
19 de março de 2015
turbulencia
C#m G#m A G#
C#m G#m A B
cada um tem que escolher se adaptar ou morrer
de tédio numa cama vazia
besta é quem não reconhece o poder da turbulência
de uma água fria
sou a mais espera cria de mamãe
disse-me um dia filha sente como uma moça
como sou obediente nesse mar de água eu tremo
das dez hora ao meio-dia
PONTE
C#m D#m E
eu não vou sair tão cedo
não sinto culpa, que pena
REFRÃO
A C#m F#m F# A C#m F#
A C#m D C#m A C#m B
sobre a superfície tem só minha cara
habitual
mas debaixo dágua, vê-se o meu desejo
de ser real
como um pato padecendo num lago sujo de latas
de cervejas populares
eu esqueço dos presentes e me apago ao toque tático
e frenético dos mares
assim, recontorcida e murcha sou uma ativa
estrela suja como me disseram um dia
sou feita assim de orgulho próprio
um patinho feio no palco de uma casa de show vazia
C#m G#m A B
cada um tem que escolher se adaptar ou morrer
de tédio numa cama vazia
besta é quem não reconhece o poder da turbulência
de uma água fria
sou a mais espera cria de mamãe
disse-me um dia filha sente como uma moça
como sou obediente nesse mar de água eu tremo
das dez hora ao meio-dia
PONTE
C#m D#m E
eu não vou sair tão cedo
não sinto culpa, que pena
REFRÃO
A C#m F#m F# A C#m F#
A C#m D C#m A C#m B
sobre a superfície tem só minha cara
habitual
mas debaixo dágua, vê-se o meu desejo
de ser real
como um pato padecendo num lago sujo de latas
de cervejas populares
eu esqueço dos presentes e me apago ao toque tático
e frenético dos mares
assim, recontorcida e murcha sou uma ativa
estrela suja como me disseram um dia
sou feita assim de orgulho próprio
um patinho feio no palco de uma casa de show vazia
9 de fevereiro de 2015
palavra surpresa
(Os textos aqui abaixo foram frutos de uma partida de palavra surpresa, na qual tive que escrever um texto rápido sobre palavras aleatórias)
1) Lágrima
Desde criança penso porque a lágrima é salgada. Sempre gostei do gosto de lágrima, é salgado na medida certa, diferente do mar. Uma vez eu soube de um bicho muito pequeno que poderia viver dentro do nosso olho porque ele conseguiria sobreviver graças a nossa lágrima. Pirei quando soube disso também. Uma outra coisa que considero interessante a respeito dela é que ela apenas é consequência de algo muito mais abstrato: emoção, bocejo e alergia. Parece que microscopicamente a lágrima é diferente de acordo com cada emoção do seu expelir. A pior lágrima é a da alergia, a pessoa não consegue ver nada, e fica irritado com a luz. E ela escorre sem você sentir nada, que não raiva. A lágrima do bocejo é minha preferida, pois não precisa sequer ser enxuta. Como não houve muita emoção, deixo a lágrima surtir o efeito reverso: me provoca cócegas à maçã do rosto.
2) Luz de lâmpada
Luz de lâmpada é umaminhas das maravilhas artificiais preferidas. Não sou um entusiasta das incandescentes, apesar de reconhecer sua importância. O problema é toda a energia que se perde que é convertida em calor. Um desperdício infindo! Porém tão simples que qualquer um pode pensar "poxa vida, eu poderia ter criado isso sozinho!". Mas é fácil falar. Hoje em dia tem de tudo que é tipo. Dizem que essas com gás são perigosas depois de queimadas. O pessoal costuma brigar com uma delas, faz um estrago danado. Eu prefiro mesmo as branquinhas, pequenas e compactas, de abajour. Mas um abajour que não derreta como o meu, de preferência. Pois nem sempre podemos ter uma lâmpada fluorescente. Uma coisa que eu gosto é quando eu mudo a lâmpada do meu quarto por outro tipo. Parece que estou em outro lugar. Sai daquele filtro amarelado para a branquidão plena. Ou vice-versa. Acho realmente incrível... A gente admira cada coisa estranha nessa vida.
3) Isopor
Tem pessoas que tem agonia do som de isopor raspado. Acho que minha irmã tem uma daquelas. Mas eu sempre gostei das bolinhas que formam um isopor. Porque ele nada mais é que um aglomerado de bolinhas que eu sempre raspava quando criança e fingir ser neve. Depois comecei a me atentar pra real importância dele. O termo "iso" acredito que venha dele ser um material excelente para isolar temperatura e som. Sem contar que protege muito bem eletrodomésticos pelo mundo a fora. Eu não lembro se eu já o fiz, mas deve ser maravilhoso colocar a mão num saco cheio de bolinhas de isopor raspado. As pessoas dizem que a língua portuguesa tem palavras muito específicas que descrevem coisas longas. Se eu pudesse criar uma palavra, criaria para as bolinhas de isopor desaglomeradas juntas e soltas. Mas ainda não sei como a chamaria. Uma porção de klimbox, talvez. Para sacos pequenos, klimboxinhos
4) Chapéu
Se tem um acessório que eu gosto é o chapéu. Praticamente de todos os tipos, até porque hoje em dia não me deixa muito feliz chapéis de cowboy, apesar de já ter me afeiçoado mais por estes. Uma vez soube que os chapéis foram criados porque as pessoas jogavam seus dejetos pelas janela, e então fez-se necessário para ninguém sujar a cabeça. Mas não acredito muito nisso. Eles foram criados porque são demais!! Tanto é que escrevi uma música que diz "saiba se quiser sair é só colocar um chapéu". Adoro a frase do Raul Gil "pra quem você tira o chapéu?" e gostei de que na catedral de notre dame ainda não se pode entrar de chapéu. Tem uma placa na porta de entrada. Meu avô Antônio era um homem da Igreja e ele usava chapéu. Não na Igreja. Minha primeira boina fora sua, presente da minha tia de Curitba. Desde então sempre gostei de boinas, eu a via pendurada no gancho da rede na porta de entrada da cozinha e ficava pensando como gostaria de pô-la em minha cabeça. Meu avô não gostava muito dela, eu acho. Ou apenas usava em ocasiões especiais. Ou simplesmente usava para satisfazer minha tia, sua filha mais nova. Acho que ele faria isso. Mas ela sempre ficava no mesmo lugar, num gancho de rede na entrada da cozinha.
1) Lágrima
Desde criança penso porque a lágrima é salgada. Sempre gostei do gosto de lágrima, é salgado na medida certa, diferente do mar. Uma vez eu soube de um bicho muito pequeno que poderia viver dentro do nosso olho porque ele conseguiria sobreviver graças a nossa lágrima. Pirei quando soube disso também. Uma outra coisa que considero interessante a respeito dela é que ela apenas é consequência de algo muito mais abstrato: emoção, bocejo e alergia. Parece que microscopicamente a lágrima é diferente de acordo com cada emoção do seu expelir. A pior lágrima é a da alergia, a pessoa não consegue ver nada, e fica irritado com a luz. E ela escorre sem você sentir nada, que não raiva. A lágrima do bocejo é minha preferida, pois não precisa sequer ser enxuta. Como não houve muita emoção, deixo a lágrima surtir o efeito reverso: me provoca cócegas à maçã do rosto.
2) Luz de lâmpada
Luz de lâmpada é umaminhas das maravilhas artificiais preferidas. Não sou um entusiasta das incandescentes, apesar de reconhecer sua importância. O problema é toda a energia que se perde que é convertida em calor. Um desperdício infindo! Porém tão simples que qualquer um pode pensar "poxa vida, eu poderia ter criado isso sozinho!". Mas é fácil falar. Hoje em dia tem de tudo que é tipo. Dizem que essas com gás são perigosas depois de queimadas. O pessoal costuma brigar com uma delas, faz um estrago danado. Eu prefiro mesmo as branquinhas, pequenas e compactas, de abajour. Mas um abajour que não derreta como o meu, de preferência. Pois nem sempre podemos ter uma lâmpada fluorescente. Uma coisa que eu gosto é quando eu mudo a lâmpada do meu quarto por outro tipo. Parece que estou em outro lugar. Sai daquele filtro amarelado para a branquidão plena. Ou vice-versa. Acho realmente incrível... A gente admira cada coisa estranha nessa vida.
3) Isopor
Tem pessoas que tem agonia do som de isopor raspado. Acho que minha irmã tem uma daquelas. Mas eu sempre gostei das bolinhas que formam um isopor. Porque ele nada mais é que um aglomerado de bolinhas que eu sempre raspava quando criança e fingir ser neve. Depois comecei a me atentar pra real importância dele. O termo "iso" acredito que venha dele ser um material excelente para isolar temperatura e som. Sem contar que protege muito bem eletrodomésticos pelo mundo a fora. Eu não lembro se eu já o fiz, mas deve ser maravilhoso colocar a mão num saco cheio de bolinhas de isopor raspado. As pessoas dizem que a língua portuguesa tem palavras muito específicas que descrevem coisas longas. Se eu pudesse criar uma palavra, criaria para as bolinhas de isopor desaglomeradas juntas e soltas. Mas ainda não sei como a chamaria. Uma porção de klimbox, talvez. Para sacos pequenos, klimboxinhos
4) Chapéu
Se tem um acessório que eu gosto é o chapéu. Praticamente de todos os tipos, até porque hoje em dia não me deixa muito feliz chapéis de cowboy, apesar de já ter me afeiçoado mais por estes. Uma vez soube que os chapéis foram criados porque as pessoas jogavam seus dejetos pelas janela, e então fez-se necessário para ninguém sujar a cabeça. Mas não acredito muito nisso. Eles foram criados porque são demais!! Tanto é que escrevi uma música que diz "saiba se quiser sair é só colocar um chapéu". Adoro a frase do Raul Gil "pra quem você tira o chapéu?" e gostei de que na catedral de notre dame ainda não se pode entrar de chapéu. Tem uma placa na porta de entrada. Meu avô Antônio era um homem da Igreja e ele usava chapéu. Não na Igreja. Minha primeira boina fora sua, presente da minha tia de Curitba. Desde então sempre gostei de boinas, eu a via pendurada no gancho da rede na porta de entrada da cozinha e ficava pensando como gostaria de pô-la em minha cabeça. Meu avô não gostava muito dela, eu acho. Ou apenas usava em ocasiões especiais. Ou simplesmente usava para satisfazer minha tia, sua filha mais nova. Acho que ele faria isso. Mas ela sempre ficava no mesmo lugar, num gancho de rede na entrada da cozinha.
8 de fevereiro de 2015
rebequismos
queria era um pote de vidro para preservar as plantinhas
pode ser um potinho qualquer
desde que cumpra sua função com êxito
de proteger e permitir o fluxo natural de crescimento
que é de direito das plantas
liberdade para crescer
por isso que as calçadas se quebram
acima dos pés-de-pau da minha cidade
é uma coisa que me deixa triste
calçadas e falta de liberdade
cimento e pedra não preservam muita coisa
na verdade
não preservam coisa alguma
mas pode ser um pote fino ou barrigudo
fosco ou translúcido
desde que os pássarinhos não picotem a raíz
e eu possa acompanhar o crescimento
pode ser um potinho qualquer
desde que cumpra sua função com êxito
de proteger e permitir o fluxo natural de crescimento
que é de direito das plantas
liberdade para crescer
por isso que as calçadas se quebram
acima dos pés-de-pau da minha cidade
é uma coisa que me deixa triste
calçadas e falta de liberdade
cimento e pedra não preservam muita coisa
na verdade
não preservam coisa alguma
mas pode ser um pote fino ou barrigudo
fosco ou translúcido
desde que os pássarinhos não picotem a raíz
e eu possa acompanhar o crescimento
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