27 de junho de 2013

^

vale-me de amor, coragem
e eles terão assim um pedaço

um risco no joelho ferido 
temperado com o saibro cansado 
é um risco configurado
no olhar de tu destemido

vale-me de amor, coragem
e eles terão assim um pedaço

uma obsoleta vontade
de se jogar de um penhasco 
na penumbra, o céu, ricochete
no cabeça um véu de saudade

vale-me de amor, coragem
e eles terão assim um pedaço

~

[canto a rua que não me dá bola]

na curva valorizei a cadência
no cume fortifiquei o cadarço
no centro de meu desopilo 
desfiro-me a favor do recharço
desconjuro o teu alvoroço
e infesto com pragas de tacho

a rua sob celestial conformidade
é a mesma que me dilacera
à maneira falciforme

é piche rachado agonia
com britas que falam em braile
quem passa correndo apressado
não sente o que quer dizê-la
um afronte à negra donzela
clamando por calamidade

sob celestial conformidade
é a mesma que me dilacera
à maneira falciforme

crueldade

20 de junho de 2013

sacada

na quadra: 10 meninos criados em apartamento
e na sacada do primeiro andar
um menino criado em apartamento
triste
por não ter a liberdade triste
dos meninos criados em apartamento

19 de junho de 2013

mesa

Em D G Am

Em 
não ponha a mesa que eu só chegarei mais tarde
D
e não faça alarde se hoje eu não chegar
Em
na rua da concórdia em plena madrugada
F#m G F#m Em
a luz cabaré causa discórdia neste lar


Vê o vermelho estampado da vergonha
É uma fachada como a sua cerimônia
É uma piada! o contraste da parede
Só pode ser coisa da sua cabeça

Não quero nos destruir com sua dúvida
Se quiser conferir
é só chegar número 327
Há uma luz vermelha



7 de junho de 2013

pepe mujica


ao som do chafurdo dos pássaros
no mar de alpiste
em riste me disseste:
não ficai triste
farei um mar de alpiste
para você também

solavanco



na indeferida cor
ela me arrodeia aos prantos 
e em sólida maçã, garante:
não há solidez na ferrenha face
fisgada pelo cansaço

bem decidida face:
rosto escuro na penumbra dos olhares
quando tu fores e voltares
me traga um chá de hortelã
com a água fervida nos indecisos
e imprecisos raios solares desta eterna manhã

acordei num solavanco, prostrei-me de prontidão
não há solidão da face fugaz
nunca, jamais
plenitude e delicadeza
um misto de pluripartidarismo
com o branco bordado dos orixás

é branca
e bordada pele
na face oculta desta moça
e deste rapaz

3 de junho de 2013

brasileiro profissão sono

o quarto gira 
num carrossel 
é sonho

e acordar com sono
é a minha profissão

no portugal, com o tiago
eu como um sarapatel
à mais

e acordar com sono
é a minha profissão

palindromia
é a arte de amar o avesso

e acordar com sono
é a minha profissão

o amor traz novas flores
no jardim da solidão
e num clichê barato
rega
ouvindo reggae
no beat-box do refrão

acordar com sono
é a minha profissão