31 de julho de 2011

pena

D#7+ C7 Fm Bb7

Eu queria sentir graça
mas tua farsa é conhecida
diz que a fama te incomoda
mas quer dar uma aparecida

Eu queria sentir tanto
mas você só me dá pouco
põe a culpa nos amigos
e me chama de louc...

Gm D7 xxxxxx
Não acredito em você
mas queria ter coragem
de saber que tua miragem
é verdade no deserto
e que de perto, tua margem
é, de longe, nada certo

Não queria sentir pena
minha cara, eu insisto
que o dinheiro que eu te pago
é a verdade que eu te pego

Você sabe, não te nego
mas teu troco é bem barato
eu prefiro viver cego
que te ver dentro de um fato

Estou aprendendo com você
a falar sem ser ouvido
vou matar o meu silêncio
perturbado num conflito
vou roubar as tuas palavras
e o que não admito

Sou o dr. Frankenstein
de remorsos até a ponta
que tu ferve na lembrança
da memória que desmonta

Sou o jacaré do tempo
enquanto você se excede
vai logo me dando a conta
bate a porta e se despede




uma música para amanhã

F7m E/G
preciso de um tema
preciso de um tempo pra esquecer
do nosso dilema
de meus desafios pra vencer
a solidão

Am Am/G C
quem me levará ao meu lugar de perdedor?
quem me fizer desistir de um caminho mais fácil pra dor

quebro a cara na contagem regressiva
viva a liberdade, é tarde, mas se a noite é uma criança
o dia exala uma temperança que me cala na rodagem sucessiva
priva da linhagem evolutiva que o amor me deixa cego
nego que a póstuma memória de um solitário morto
torto não é, pois o que é de já nascido não endireitado
acabado, vivo ou morto, guerra ou paz
que diferença faz?

preciso de um lema
preciso de uma cifra pra compor
resolvo o problema
mertiolate não causa mais dor

13 de julho de 2011

brega

(A) (B) (C#) (E) (F#)(G#)
Se errar é humano, então
A7 F#
Porque você me chama de cachorro?
Bm Em
Se eu não escuto mais a voz do morro
A7 D
Você me diz que é pedigree

Se eu me calo, é erro em vão
Você me pede pra falar errado
E me abandona em qualquer orfanato
D D7
E põe fim na discussão

Gm D# Cm F
Olha, pra que insistir assim
Calma, que essa bala é de festim
Atiro, pois eu não sei mais te ouvir
D# Cm
Com essa indecisão de não saber
Que o teu corpo dói
Quando quer fugir
Da tua solidão
Que culpas a mim
Por não ter que crer
Que o triste é feliz

Se mudar é cigano
Por que você insiste em viver lá fora?
Se eu que sou o errado da história
Me deixe dormir no sofá






9 de junho de 2011

receptáculo

que vez obtivera o ladrão da quimera
que em suma liberdade
das faculdades mentais, deveras falidas
postadas em discrepância
sem importância, megera sorte
da tua própria morte causada
por tua enorme ignorância
não sabes se sois fera
ou se feres a tua própria vida

miséria, falência e descaso
o acaso do momento de inércia

levanta a ti e ergue um receptáculo
tu, que só tão másculo
és triste pois não é entendido
inferior pois nunca fora assistido
um breve retrato da cláusula terceira
que de primeira vez que aberta
não ajuda
não rasga
não mata
não ama

inflama-se de dúvidas e desentendimentos
só se vê bem, quando se diz não

19 de maio de 2011

empenho

Dm7 Cm7

Devolva o meu dinheiro
Que eu gasto com solidão
Já não quero saber de você nem ninguém
E não ligo se fui traído por você meu bem

Gm Bb F F7
Meu empenho de te dar meu melhor falhou
O desenho que te fiz pra entender também
Não dá, não dá pra ser assim
Me abstenho e me afundo em gin

18 de maio de 2011

revestimento

G Bº A D
Ai ai
se essa rua coubesse
nessa casa, minha prece
seria atendida
Ai ai
Se esse barco nadasse
e teu pé flutuasse
como se um balão

G Em C D
Caíndo ao chão, mudando a direção
Transportando o céu
Numa loucura contida

E o muro em flor
Como você queria
Essa tarde eu te dou
De presente todinha

Intro

Aiai
Se esse colchão falasse
E contigo passasse
O tempo que não estou
Aiai
Se você esperasse
E outra rosa eu levasse
Como minhas desculpas

E aí a cor
Que me foi prometida
Voltasse a pintar
Sobre o céu da avenida

E o nosso amor
dentro da padaria
dentro da nossa rua
que é nossa moradia...

6 de maio de 2011

lembrete

Lembre tu de novo, tudo de novo
O fim ama, cargo da solidão que vedes tu de novo
que o amargo cega a hora e clama pedindo socorro

Lembrai-vos, ó pai! De perdoai-vos, culpai-vos, pois somente tu sabes
que se perdes no abismo dos culpados
E o que encontras lá é o eco dos que não falam
A frequência dos que não sentem
A risada dos que só choram


19 de março de 2011

sem palhetar, pf

Bm G#º F#b5 F#m7

Finge que me admira, mas
você sabe que tua força de fazer tua cara
De quem tá achando lindo
Bm Bm/A A7 Bm7
Incorpora a personagem do Faustão

Bm Bm/A A7 Bm7
Acha que eu acredito
No pluralismo da tua face, eu que não
Bm G#º F#b5 F#m7
Se você me deixa aflito
Me oponho a construção

C7m D9 A4 A
Dois atores, dois conflitos
Dois amores que se opõem à razão
Dois roteiros infinitos
Dois cenários, e só uma atuação

16 de fevereiro de 2011

(como antes)

"Que lua que tá sintonizada lá em cima?", perguntou-me Anacleto. Lembro-me daquelas repetições que se faziam sobre seu nome:
"Um sujeito quase completo";
"quase completo";
"quase";
"completo"

Perfeito seria se não tivesse esse problema sinestésico com as coisas. Acha que tudo é um algo diferente, à parte desse tudo, que outrora nunca fora seu. Porém, quase todas as vezes que ele falou algo a mim, soou como mágica. Ou poesia, para ser mais direto.
"Essa fascista dança muito bem, fala sério!". Fiquei intrigado. Olhei para televisão e apareceu uma mulata maravilhosa, sambando no auge de seus 99 cm de busto que cairão junto com a maçã de Newton. "Isto não é uma fascista, Anacleto. É uma passista. Pas-sis-ta!"

"para mim, é o que é".

Respondi que ela não era o que ele queria que ela fosse. Porque o mundo não é elíptico porque ele o achatou como o faz com suas massas de modelar. Ela era uma passista, e fascista remetia-se a contrariedade dos regimes liberais e comunistas. E aquela mulata, com certeza não seria uma.

Passadas meia-hora, me dei conta que Anacleto não estava por perto. E ecoou na minha mente mais uma vez: "Anacleto, um sujeito quase completo". Pensei de onde havia tirado isso. Não entendia minha própria mente, como poderia dar um exemplo para esta criatura.

"Então..."

Desde essa primeira palavra, sabia que seu argumento destruiria o meu em um milhão de pedacinhos.

"Você disse que ela não era fascista, por não ser contra o regime comunista/liberal, não foi?"

"Sim", eu disse.

"Procurando no meio de comunicação e pesquisa mais bem amplo e variado do mundo globalizado, encontrei as seguintes características de "fascismo". Posso?"

"Infelizmente"

''O Fascismo tinha como principais características: o totalitarismo, a liderança carismática, o corporativismo, o nacionalismo, o militarismo,o expansionismo e o companheirismo entre os fascistas.'''

E começou a explicação...

"A sua 'passista', segue a toada de uma única pessoa, que é o senhor que canta e
anima seu exército. Logo, é totalitária.
Ela, assim como toda escola de bambas, tem (E MUITO) de liderança carismática. O corporativismo, deixo sua pessoa concluir por si só. O samba que leva o nome do Brasil ao mundo. Logo, nacionalismo.
Militarismo? Preciso falar sobre essa marcha?
Expansão de territórios, não? E se eu disser a você que o samba existia apenas nas favelas, e hoje virou o mundo inteiro, sendo cantado até por japoneses?

E O COMPANHEIRISMO?

satisfeito?
Grato".
Não tem como discutir. O quase, tá beirando o todo.

25 de janeiro de 2011

24 de janeiro de 2011

reflexão

(apenas para o exercício)

Eu vi árvores que brilha como a luz do seu olhar
Vi o céu florescer como as cores de um pavão
Eu sei reconhecer que as coisas não estavam lá
Mas sei que meu coração não estava pronto pra imaginar

Distorção da cor, reflexão do amor
o vento se transforma em ritmo e poesia

Asfixiado pelo vento, inebriado pela tormenta
Atenta estavas tu quando, de um suspiro me ofereceu teu vulto olhar
Cansado de um pensamento impaciente sobre tua falta de amor sem nexo
Resolvi esquecer e fazer um favor... me tornei reflexo

Eu vi árvores que brilha como a luz do seu olhar
Vi o céu florescer como as cores de um pavão
Eu sei reconhecer que as coisas não estavam lá
Mas sei que meu coração não estava pronto pra imaginar

11 de janeiro de 2011

F#m Bm C#7

Vem pra cá, sente aqui
não vá para o inferno que eu descobri
Não me fale o incerto, pois a reação
que vem é pior

Tua malcriação já está na degola de meu coração
vem logo, me esfola que tua esmola
não é meu perdão

A tua mão tão suada de tanta carência
já assassinada, pede clemência e volta atrás
pro meu corpo então

E SAI DAQUI com esse quadro de você pintada
um retrato da minha inocência que eu construí
E SAI DAQUI com esse papo furado de bala
um recado da minha agressão por não te traí,

Deixa cair chuva ácida
que eu não importo com
tua cara plácida
Nem me vanglorio por tê-la aqui
tão perto de mim

Eu sinto pena do otário
que não foi contrário a tua
imbecilidade de tanto querer
voar