26 de junho de 2014

riso frouxo

vê se pode uma inocência dessa
sou quase um café
pingado
(com leite)
sou breve doce deleite:
pobre, calado e sem fé
a frouxidão é uma virtude séria das coisas
e tudo mais que é atribuído ao riso o é
o sorriso é coisa séria tal qual galinha
ninguém consegue segurar

6 de junho de 2014

sem precedência

vem, to cansado desse
tem, pode vir que eu tou
sem precedência

vento, te espero a todo
tempo, hoje eu quero um lamento
eu to por dentro

cem porcento
sento ao pé da mesa
nessa mesa de jantar
engulo uns 20 sapos
sigo a contramão dos fatos
e dou de ombros
às moscas

são 3 folias toscas
baseadas em mentiras
caseadas em dezenas
das erradas investidas
escondidas nas novenas
fatalmente envolvidas
geralmente sob penas,
há suadas mãos sofridas
igualmente pequenas
jogando
jogando
jogando
jogando

fora a paciência às moscas


5 de junho de 2014

maldito frio

às vezes sinto uma 
pontada (de esperança)
maquiada lembrança
da alça do biquíni
do ódio do cabelo
grudado no meu ombro
eu choro quando vejo
eu sonho

às vezes sinto uma 
saudade azul piscina
do peito que eriçava
quando a cerveja caía
e não desse direito
que só morre de frio
aqui enclausurado
nessa sala tão vazia

às vezes sinto uma
beliscada de agonia
que só me faz lembrar
que minha cama está vazia
e que o tijolo branco
que figura na parede
é bem melhor que o cinza
que nunca mata de sede

agora estou sentindo
uma vontade de ficar
pois sei que eu consigo
girando pra me virar
e que nessa imensidão
eu sigo sentindo um trisco 
me viro entoando um som
se quero tirar a roupa
pra quê que tem edredon?