plic...
plic...
plic... plic...
plic, plic
plic plic plic plic
É dia 18 de dezembro. Finalmente a chuva voltou a cair sobre esse telhado. Gosto de acompanhar a progressão de uma chuva por aqui. Como ela começa a cair devagar, e começa a ir aumentando a intensidade, aumentando, depois paro de ter capacidade de distinguir quantos pingos estão caindo em um mesmo tempo. A onomatopeia muda bruscamente. Se eu fosse baterista, com certeza imaginaria facilmente um ritmo daquela sinfonia absurda de gotas de chuva. Se eu fosse baterista... Acho que nunca pensei em ser, somente para tocar quando a chuva caísse, por apenas um dia (porque nos outros, continuaria pensando na progressão dos pingos da chuva, e não gostaria de me desfazer dessa relação comigo mesma).
Não esboço sequer uma vontade de sair dessa cama.
Não esboço sequer uma vontade de sair desse transe no qual estou dentro de mim.
E tudo isso por culpa dessa falta de energia maldita. Não consigo sequer me olhar no espelho. Não que eu quisesse, mas sinto como se minha testa estivesse suja com algo que eu tenha me melado devido ao fato de estar sem energia. Está tudo interligado. Gosto quando encontro soluções para as coisas, e felizmente acho equilíbrio nelas. Sinto que minha testa está suja, nem lembro com o que sujei. Tentei limpar, mas não sei se limpei, porque eu não consigo me ver e nem sei com o que me sujei para saber se é algo que sai fácil. Mas sei que, se me sujei, foi por culpa dessa maldita "fornecedora de energia de alta tensão" que fornece aqui neste espaço sideral, chamado minha casa. No caso, ela nem chega a fornecer.
Na hora do fato, eu assistia à terceira parte da trilogia "O Senhor dos Anéis". Eu nem gostei muito dos outros dois, mas estava cansada de quebrar minha cabeça com os filmes que havia assistido nos últimos 6 meses. Sorte que me recomendaram. Azar de minha sorte. A energia acabou justo na parte anterior que eu me antevi sabendo que pausaria o filme.
Não consigo me explicar bem. Tenho uma certa excentricidade, na qual, como todo excêntrico, considero normal: eu pauso filmes em cenas que considero importantes, nas quais só irei retomá-las, após um certo tempo (que não é fixo) para analisá-las. Não gosto de obter tantas informações, em sua maioria interessantes assim. Seja o filme que for, quando eu sentir vontade, simplesmente, o botão de duas barras paralelas estará lá (ou talvez a barra de espaço, nesse mundo moderno). O que importa é que eu sabia que em 2 minutos, eu sentia isso, daria um Pause nesse filme.
Talvez para tomar um café. Talvez para analisar sobre o alto grau de homoafetividade de dois dos protagonistas. Talvez pela magia que não compreendia, pela dúvida dos outros dois filmes, pela ansiedade pra saber que Rei é esse que está Retornando... São tantas coisas para analisar. Que filme longo!
Porém a energia caiu cerca de 2 minutos antes da cena que eu sabia que eu ia pausar! Agora não consigo mais analisar tudo isso. Já havia se passado 1 hora e 25 minutos de filme. E eu quero re-assisti-lo pela primeira vez.
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