20 de março de 2013

poemas compartilhados

"um balanço"
Bm D G F#m
um pouco mareado pelo balanço 
ondulado 
um descanso
ensaiado 
desconfortante como fila de espera 

Em7/5 A7
é mar
e anatômica
é mar
e anacrônica
é mar

D7m
e fila de espera também

sobre o asfalto negro, uma profecia
o sertão metaforizado no calor e agonia
de que, se deus quiser, se tornaria um dia
o mar
que trouxe, em ressaca, o verão
e você me dizendo num solfejo
que o mar virou sertanejo

no breu do inferno do meu dia


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"jovens inócuos"

jovens inócuos a espera da diligência
somos tu
os réus passivos do amargor
sem juízo 
assíduos praticantes do amor


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"sedes"

o marulho perturba: 
e cai a cal da parede 
e cai o tijolo 
me dano às redes
de novo
à revelia do mar

o motor estarrece
a manhã aborrece
cai a lágrima à maçã
e caibro em cima da casa
me dano a existir
só eu
ao bel prazer do oceano

"ledo engano"
foi a última mensagem que captei
tornado perspicaz
sou eu em harmonia
com a revelia do marasmo
alforria tropical
entreposto em pleonasmo
tou bailando ao carnaval

o óleo de peixe é o lubrificante
da engrenagem
postulante à margem
do oscilante
reagem a oscilação
face a observação
de ante-mão
persevera
e corta
e rasga
e chora

sedes flora
sedes flora

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