5 de junho de 2014

maldito frio

às vezes sinto uma 
pontada (de esperança)
maquiada lembrança
da alça do biquíni
do ódio do cabelo
grudado no meu ombro
eu choro quando vejo
eu sonho

às vezes sinto uma 
saudade azul piscina
do peito que eriçava
quando a cerveja caía
e não desse direito
que só morre de frio
aqui enclausurado
nessa sala tão vazia

às vezes sinto uma
beliscada de agonia
que só me faz lembrar
que minha cama está vazia
e que o tijolo branco
que figura na parede
é bem melhor que o cinza
que nunca mata de sede

agora estou sentindo
uma vontade de ficar
pois sei que eu consigo
girando pra me virar
e que nessa imensidão
eu sigo sentindo um trisco 
me viro entoando um som
se quero tirar a roupa
pra quê que tem edredon?

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