2 de novembro de 2014

Análise CD "Vira-lata na Via Láctea", de Tom Zé

Resolvi fazer uma análise sucinta, faixa por faixa do novo cd do iraraense Tom Zé, por conhecer razoavelmente sua obra e por achar que ele merece, no mínimo, minha atenção redobrada para este disco com participações incríveis de gente nova e velha, e com canções de seu último EP, "tribunal do feicebuque". Adianto desde já que espero bastante desse CD e ainda espero que ele me surpreenda.

Faixa #1 - Geração Y

A primeira música não parece muito com as últimas músicas de aberturas de cd de Tom Zé, não é nem um pouco introdutória, mas é bem objetiva. Desde as primeiras vezes que vi o nome de Tom nas participações em bandas como Ecos Faltos (em "A Revolta da Musa") e Mombojó (em "Realismo Convincente") percebi a evidência de sua aproximação com os jovens. "Geração Y" nada mais é que o resultado de suas observações ante ao mundo moderno, tecnológico. Ele apresentou um futuro bastante triste ao jovens, me lembrou um pouco as letras pessimistas de Radiohead. Música sucinta e sem arrodeios porque a geração y não pode esperar.

"Vem depressa, porque meu bem, meu bem, bem
daqui a alguns anos, vamos ter que governar"

link: https://www.youtube.com/watch?v=2hwz7-MqumE

Faixa #2 - A Quantas anda você (com Trupe Chá de Boldo)

Faixa #3 - Banca de Jornal

Eu sou a pior pessoa pra falar de uma música com a participação de Tom Zé e Criolo. Incrível música, incrível introdução, inclusive. Tem a essência do Estudando o Samba e Estudando o Pagode, mas com novos elementos evidentes da tecnologia. Mostra a que veio, uma vez que insere elementos que lembram video-games, que na minha imaginação sórdida me lembram o pulo do Mário do SNES, o que me fez que ele quis carregar a geração y, dos video-games, numa canção que fala de Jornais/Revistas. A letra fala por si só, é uma brincadeira com agulhadas discretas, evidenciando a antítese entre meios de veiculação da imprensa. Como por exemplo, a antítese VEJA/Carta Capital no refrão ou a Formiga (séria, trabalhadora) vinculada à Folha de SP, Estado de SP e a incrível PIAUÍ e a cigarra (relaxada, da curtição) relacionada à revistas fúteis, como CARAS, ti-ti-ti e CONTIGO. Incrível, sem mais.

link: https://www.youtube.com/watch?v=q4qqkrLquQs

Faixa #4 - Cabeça de Aluguel 

Faixa #5 - Pour Elis

Rodrigo Campos, Kiko Danucci e Milton Nascimento. Somente. Tom Zé, que sempre se chamou de vira-lata aos quatro cantos do mundo, realmente está na via láctea, cujo lugar é o maior exemplo de encontramentos de coisas minúsculas e colossais. São parcerias colossais, que cada vez mais controem e desconstroem a cara do cd. Essa música, até agora, é minha preferida. A voz de Milton entra matando, como sempre. A guitarra distorcida deu um quê de underground, contrastou maravilhosamente bem com o violão de Campos (que me lembrou "Califórnia Azul", do mesmo). Mas o que ganha a música é sua composição. Composição esta que foi feita em 1987, não por Tom Zé. É de uma carta do jornalista Fernando Faro à época do 1º ano sem Elis Regina. Tom Zé, que já gosta de cartas ou qualquer elementos textuais extra-musicais sendo musicados, fez esta jóia musical nascer. Linda música e harmonia. Vou ouvir de novo.


"É uma linha, um traço, um rastro espelhado e brilhante
O rascunho de um rascunho uma forma nebulosa feita de luz e sombra
Como uma estrela, agora sou uma estrela"

link: http://youtu.be/_ZLzWlU0mB0?t=15m31s

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