28 de dezembro de 2012

salgue

se essa estrada de ferro que passa
sobre a tua calçada fosse
uma estrada em que trem passasse
não me tremerias às palavras
pois que todo teu corpo o faria
em doses homeopáticas
sobre o leito da tua vizinha
aos prantos se ergueria

na praça
o homem acordou
"parem com essa gritaria"
o Homem acordou
da solidão da praça
e ergue-se de novo em preces

estava de novo nela
raso
liso
é dia de findar o prazo
é dia de fechar o rezo
se eles me esquecem...

pena que a estrada de ferro que passa
não passa trem por cima dela
só ferro
sem graça
não tem máquina, fumaça
não tem nada que me faça
lembrar do cheiro que me lembra ela

posto de pé, o que a vizinha faria?
de supetão
esperto
mais de dez quilogramas de sal
mais de dez quilômetros de ferro
porei minhas mãos na massa
tentarei por um pouco de graça
já que na praça não tem amor
o que será que o pranto se tornará?
quanto precisa de sal um novo sabor?

faço

antes

que

alguém

o

faça


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