11 de dezembro de 2010

toque de sublimação.

Já era cinco da matina. E ele batia a porta desesperadamente. "Toc-Toc! Bzeen!!" (...) Uma sinfonia de desespero. Ao invés de anjos, os gárgulas cantavam esta canção. (Ouvi dizer que anjos que cantam sinfonias no paraíso. Deve ser por não encontrarem áreas de atuações mais diversificadas. Claro... deixa a arte para os vagabundos! )
E os gárgulas capricharam. Apesar de nem existirem na vida real. A orquestra estava muito bem compassada, e o suor frio também. Até que então...

Que é que você quer?
-É assim que você me recebe as cinco e meia da manhã?
-É com esse sarcasmo que você quer me fazer te desculpar?
-Isso não é um jogo de perguntas.
-Isso nem jogo é, seu escroto!
-Olha a grosseria! Você nem pensou no que eu fiz de errado. Você nem sequer pensou no que eu fiz. Se você deixasse...
-Se você deixasse eu dormir em paz...
-Espere!
-Você não precisava ter voltado!
-Você não precisava ter aberto a porta então!
-Por que você não vai embora então?
-"Senão... é como amar uma mulher só linda!" (...)
-PARA!
-"E daí? Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza... Qualquer coisa de triste! Qualquer coisa que chora..."
-Por que isso agora?
-"Qualquer coisa que sente saudade" (...)
-Cretino!
-"Um molejo de amor machucado, uma beleza que vem da tristeza. DE SE SABER MULHER. Feita apenas para amar"
-Não continue, desgraçado!
-"E pra ser só perdão..."

(E aos risos)

-O que eu faço com você?
-O que você quiser.

(...)




PS: O trecho acima, onde tem aspas, é da autoria de Vinícius de Moraes, em sua canção "Samba da Benção".

Um comentário:

  1. Que coisa mais linda, awn. Quando alguém vai me surpreender assim no meio de uma discussão?

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